"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

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11/06/09

A Bruxa de Estimação!








A BRUXA DE ESTIMAÇÃO

Havia no Reino das Cem Janelas uma bruxa de estimação. Dizia-se que tinha assistido à formação do reino. Dizia-se até que em tempos namorara el-rei Tadão, tetra-tetra-tetravô, de el-rei Tadinho, e que fora para bruxa no dia em que este, ignorando a sua paixão, decidira casar com a princesa Ritelá, de um reino que nem sequer vinha no mapa, a qual podia não ter poderes mágicos, mas tinha uma conta no banco que dava gosto ver.
No entanto, isto eram apenas coisas que se diziam. Ao certo, ao certo, nunca ninguém soube quando se instalara a bruxa naquele reino, ou até se lá teria nascido. Ao certo, sabia-se que, ainda muito nova, ela tinha pensado em emigrar para longes terras onde, segundo afirmava, se ganhava o dobro e se trabalhava metade do que nas Cem Janelas. No entanto, alguns anos depois, voltava. Afinal o estrangeiro - dizia - não era para ela. Por muito bem que lhe pagassem, não havia por lá cabos de vassouras que se pudessem comparar aos da sua terra. E nunca mais pensou em aventuras.
Essa dedicação foi, de resto, bem recompensada no reino: a bruxa era chamada a dar a sua opinião em todas as alturas difíceis, recebia pelo Natal uma vassoura nova, e podia voar por todo o reino, a qualquer hora do dia e da noite, sem pagar imposto.
Foi evidentemente a esta bruxa (até porque o reino não tinha mais nenhuma...) que recorreu el-rei Tadinho para ver se ela lhe resolvia a complicada questão com o dragão.
Mas a bruxa estava em dia de muito má disposição. As salamandras tinham fugido durante a noite, a iguana que lhe guardava a casa tinha-se despedido no dia anterior, o mocho batera a asa de madrugada e, como se tudo isso não bastasse, o seu gato preto de estimação passara a noite a miar e para ali estava agora a um canto, doente e cheio de febre, incapaz de assustar fosse quem fosse.
Sempre tens uma graça! - disse a bruxa a el-rei Tadinho. mal este lhe acabou de explicar ao que vinha. - Fazes as asneiras, prometes coisas impossíveis, e depois cá estou eu para te livrar de apuros, não é?
EI-rei Tadinho ia responder que para isso mesmo é que el. lhe pagava, e não tão pouco como isso, mas achou melhor não dizer nada. Aborrecer uma bruxa em dia de neura pode dar mau resultado. Por essas e por outras é que já tinha havido colega seus adormecidos durante cem anos, ou transformados em sapos sem apelo nem agravo.



Alice Vieira
Graças e desgraças da Corte de El.Rei Tadinho
Esta foi a história que o João Pinheiro resolveu contar à turma. Tem sido um final de ano muito diversificado e rico em contos, poemas e outras histórias...também surgiram algumas dramatizações, ora inventadas pelos alunos, ora a partir de textos lidos nas aulas. Estou muito orgulhosa de todos.

1 comentário:

Anónimo disse...

Entrei numa nova etapa...
No sexto ano, eu estou!
Vejam lá o meu azar que até a professora me encontrou!

hehehehehe a minha rima melhor ehehehehehe

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