"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

03/03/11

A Rainha E o Gato

Era uma vez uma rainha que corria de noite pelos telhados. Fizesse chuva ou sol, a chuva caísse, o vento soprasse, ela sempre corria: descalça, com pés de neve, branca e fria.
Era uma rainha muito rara, sem guerras, e sem palácios, sem armas e sem soldados, a correr pelos telhados.
Em noites de lua cheia, seus cabelos penteava, com um pente de arco-íris, seus cabelos alisava.
Mas uma noite tropeçou num gato preto, de olhos verdes iguais a esmeraldas. E parou.
A rainha quase ia caindo do telhado abaixo, se não se agarrasse à chaminé e a uma antena de televisão.
-Ui!-gritou. - Que susto, meu coração!
-Miau! Desculpa lá! -miou o gato. -Mas porque andas por aqui a correr sozinha?
-Sou rainha!
-Rainha?Miau! Uma rainha sem sapatos! Miau! Que feio que é! -miou o gato com os olhos mais verdes ainda. - Quase te arranhei o pé!
-Ouve, gato - pediu a rainha. - Debruça-te um bocadinho na beira do telhado. Mas, cuidado, não vás cair!
-Miau! Ali! Isso não, senhora do pentinho de arco-íris.
-Espreita lá para baixo -tornou a rainha. - Espreita para aquela janela que tem uma luz amarela. Estás a ver?
-Estou a ver um menino a adormecer - e os olhos do gato brilharam mais verdes ainda.
-Debaixo de cada telhado - tornou a rainha a sorrir - há, pelo menos, um menino a dormir um soninho descansado.
O gato, então, soltou um suspiro aliviado, profundo:
-És mesmo rainha! Gostas dos meninos do mundo!
E os olhos verde-esmeralda do gato luziam a rir, luzia na mão da rainha o pentinho de arco-íris. Luziam. E os meninos dormiam. Sorrir a dormir.
E quem quiser mais saber, vá atrás da rainha e do gato a correr.
Matilde Rosa Araújo in Histórias nunca lidas

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