"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

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04/04/11

Viagem ao fundo do mar...

Numa vila muito pacata à beira- mar morava António, a única criança da terra!

António era filho de um dos pescadores, dos muitos que ali viviam. Apesar da grande quantidade de adultos que havia, António era a única criança, isto porque nascera noutra localidade bem distante dali. O destino e os seus pais tinham-no trazido para ali, mas António sentia-se triste por não ter com quem brincar. Já tinha tentado saber o motivo de não existirem crianças ali, mas ninguém lhe respondia e parecia haver um grande mistério em torno da situação...

Até que um dia o rapazito ouviu uma conversa entre o pai e o ancião da vila, o homem mais velho. Nessa conversa, o homem explicou ao seu pai que há muitos anos atrás, a vila tinha sido construída sobre água e que, por esse motivo, o rei dos mares os tinha castigado, lançando um feitiço sobre as mulheres da vila, para que não pudessem engravidar.

António, na inocência da sua juventude, achou que poderia fazer alguma coisa, mas não sabia como encontrar esse tal rei dos mares! No entanto, como era corajoso, resolveu durante a noite sair num dos barcos de seu pai e procurar no meio do oceano quem o pudesse ajudar... A todos os peixes que encontrava, perguntava onde poderia encontrar o rei. Todos lhe diziam que o rei não poderia ser encontrado, pois este vivia nas profundezas do oceano e nunca vinha à superfície. António não desistiu e continuou, mas estava tão cansado que adormeceu. Só acordou, sobressaltado, com uma enorme tempestade que o fez cair ao mar.

Aflito, pensou que nunca mais iria ver os seus pais e que todo o seu esforço tinha sido em vão! Ainda esbracejou, mas logo um cardume de peixes coloridos veio ter com ele para o acalmar. Disseram-lhe que eram mensageiros do rei e que este, depois de saber que ele o procurava, decidira falar-lhe. Começou então a grande aventura de António pelo oceano, conheceu a grande família que ali vivia. Estava pasmado com tanta beleza, mas também assustado com o desconhecido.

Sabia que tinha estudado nos livros, que existiam muitos perigos no oceano, como os tubarões e outros mais com nomes esquisitos...

António, porém, não tinha que ter medo, pois era convidado especial do rei, o grande polvo que vivia na gruta mais profunda do oceano.

Durante a viagem o rapaz conheceu peixes-espadas, baleias, tartarugas...atravessou vários mares, até que chegou! António estremeceu perante a imponência e a grandeza do rei, não saberia bem o que lhe dizer! Após saber da atrocidade que este fizera às pessoas da vila, imaginava-o como um ser sem coração, impiedoso! O rei quis saber o que levava o rapaz a aventurar-se pelo mar, à mercê de tantos perigos, apenas para lhe falar! António contou-lhe tudo o que tinha ouvido o ancião falar ao seu pai e como estava triste por não ter com quem brincar. Foi então que o rei explicou ao menino a razão de ter lançado o tal feitiço que impediria as mulheres de ter filhos. O rei também estava desolado. Os humanos eram muito egoístas e só pensavam em construir, pescar espécies em vias de extinção e sujarem os oceanos com descargas ilegais.

À medida que o rei falava, as lágrimas caíam pela face de António, não fazia a mínima ideia como era possível os adultos faziam tudo isso. O menino prometeu ao polvo rei que iria falar com as pessoas da vila e fazê-los ver que a culpa daquela situação era deles e que, a partir daquele dia, ele próprio iria fiscalizar o comportamento dos adultos, pelo menos dos que viviam perto dele.

O rei achou a atitude daquela criança um gesto nobre e responsável e achou que se aquela vila tivesse mais crianças, talvez o futuro dos oceanos estivesse a salvo.

Despediu-se do rapaz e os golfinhos puxaram o barco até à baía da vila dos pescadores.

Os pais de António, que desesperavam com o seu desaparecimento, ficaram tão felizes, que o abraçaram sem fazer perguntas. Mas António fez questão de contar a aventura e pedir a todos que respeitassem mais o meio ambiente.

Passado algum tempo, António recebeu a notícia que mais queria no mundo: iria ter um irmão.

Daí em diante, cada vez mais crianças nasciam na vila e estas, à medida que íam crescendo, íam aprendendo a respeitar o meio ambiente.


Gonçalo Cavaco, 6ºG

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