"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

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02/03/16

O Direito à Educação II



            Era uma vez um país onde as crianças eram pouco tempo crianças e onde a escola não era para todas… Ao liceu muito poucas viriam a chegar e à universidade muito menos ainda. “Não fazia falta” às raparigas. E os rapazes onde “se faziam homens” era na tropa. Três anos! Para aprenderem a ser homens e lutarem pela pátria!... Era um país “a preto e branco”, longe de tudo, distante de si próprio…
Nesse país havia uma pequena casa bem pequenita, onde residiam quatro pessoas que lutavam pela vida, a mãe passava dias e dias em casa a lavar a roupa, fazer o comer que o Manuel e a Maria tanto gostavam! O pai de família ia à luta, não pelo país, mas sim pela família, ficava sem ver a família meses inteiros! Um dia, quando Manuel brincava com Maria, sua irmã mais nova, perguntou à mãe que passava a ferro umas ceroulas:
-Mãe, porque é que eu não vou à escola?
-Ó meu querido, tu não vais à escola porque …não temos dinheiro-inventou Zulmira, sua mãe.

-Mãe, porque é que o pai vai à guerra, se ele nunca gostou de lutar? -Perguntou novamente Manuel.
-Ó meu filho, realmente o pai não gosta de lutas, mas é para ele ficar forte, vigoroso e o pai luta por nós, pelos vizinhos, por todo o país, vá queres que eu te prepare um pãozinho com mortadela e um leite fresquinho da quinta da Clarissa, tua tia?- inquiriu, desviando a conversa.
Mas, quando Zulmira aquecia o leitinho, apareceram uns homens armados e as últimas palavras que Manuel ouviu de sua mãe foram simplesmente as palavras que o marcaram para toda a vida:
-Meu filho, se um dia fores um majestoso homem tenta acabar com todo este sofrimento destas vidas miseráveis, Salva o nosso país, salva – me a mim.
Foram horas de sofrimento! Manuel só pensava nas palavras da mãe e quando atingiu 18 anos quis ser tropa mas não tropa como pai. Foi treinado para vencer.
Mas numa bela madrugada de abril, uma estrela capitão, chamado Manuel, brilhou nas trevas e tudo se transformou. Era agora um jardim de cravos! As crianças gritavam, de alegria. Passados alguns anos, já sem ditadura, Manuel casou-se com Matilde, uma bela mulher contabilista e até tiveram filhos e adivinhem o padrinho foi Salgueiro Maia seu professor tropa. Ah, mas isso é outra história…

António Félix, clube de jornalismo

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