"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

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14/06/11

O Cego e o Moço...

Um cego andava pedindo esmola pela mão de um moço; a uma porta deram-lhe um naco de pão e um bocado de linguiça. O moço pegou no pão e deu-o ao cego para metê-lo na sacola, e ia comendo a linguiça muito à sorrelfa. O cego, desconfiado, pelo caminho começa a bradar com o moço:

– Ó grande tratante, cheira-me a linguiça! Acolá deram-me linguiça e tu só me entregaste o pão.

– Pela minha salvação, que não deram senão pão.

– Mas cheira-me a linguiça, refinado larápio!

E começou a bater com o bordão no moço pancadas de criar bicho. O moço era ladino e disse lá para si que o cego lhas havia de pagar. Quando iam por uns campos onde estavam uns sobreiros, o moço embicou o cego para um tronco, e grita-lhe:

– Salta, que é rego. O cego vai para saltar e bate com os focinhos no sobreiro. Grita ele:

– Ó rapaz do diabo! Que te racho.

Diz-lhe ele:

-Pois cheira-lhe o pão a linguiça,

E não lhe cheira o sobreiro à cortiça?






Mariana, 5ºA

25/05/11

Já provaram, bolo refolhado?

"Era uma mulher casada com um homem muito ruim, que lhe batia todos os dias por qualquer coisa.
Uma vez, ao levantar-se para o trabalho, de madrugada, disse ele para a mulher:
- À noite, quando vier, quero para a ceia bolo refolhado. Olha lá, toma cuidado no que digo.
A mulher não sabia o que era bolo refolhado, e foi ter com uma vizinha para ver se ela lhe ensinava. A vizinha, que tinha muita pena da vida que ela levava, disse:
- Deixe estar, que eu cá lhe arranjo isso. Com certeza que o seu homem se enganou, há-de ser bolo «folhado». E levou-lhe à tardinha o bolo.
Quando veio o homem do trabalho, pediu a ceia, e, como não achou o bolo refolhado, berrou, ralhou, deu muitas pancadas na mulher.
Ao outro dia a mesma coisa. A mulher, coitada, foi ter com a vizinha, e ela disse-lhe:
- Arranje-lhe vossemecê uma galinha guisada, que pode ser isso o que ele talvez queira.
Voltou o homem à noite, e mais pancadaria na mulher, por não lhe ter feito para a ceia o bolo refolhado, como mandara. Ao ir para o trabalho, outra vez a mesma recomendação. A desgraçada da mulher não sabia como acabar aquele fadário, e foi ter com a vizinha a chorar.
- Deixe estar, vizinha, tudo se arranja! Venha cá ter comigo à tardinha, vestida com as calças e o jaquetão do seu homem.
A pobre mulher foi. Assim que chegou a casa da vizinha, também a achou vestida com as calças e o casaco do marido dela; e partiram ambas com os seus varapaus para o sítio por onde o homem ruim havia de vir do trabalho.
Puseram-se cada uma de um e outro lado do caminho. Quando o homem vinha a passar, diz uma:
- Bate-lhe, São Pedro!
- Porquê, São Paulo?
- Porque pede à mulher bolo refolhado.
Moeram ao som desta cantiga o homem com pancadas e depois de bem moído fugiram. O homem lá se arrastou para casa como pôde, e assim que viu a mulher pediu-lhe perdão de tê-la maltratado tanto tempo, e contou como lhe tinha aparecido no caminho São Pedro e São Paulo, que o desancaram em castigo de pedir o bolo refolhado, que era uma coisa que ele não sabia o que era."


Teófilo Braga

28/03/10

A ferradura e as cerejas!

Viveu em tempos um camponês, que gostava de passar os dias de domingo com o filho a fazer coisas diferentes, pois passava a semana inteira a trabalhar no campo.
Queria que o rapazinho aprendesse sempre mais e, para isso, não há nada melhor do que a experiência.
E foi assim que numa bonita manhã de Verão, decidiu viajar até à cidade, que ficava mais próxima da aldeia.
O pequeno Miguel ficou muito contente, quando o pai lhe disse que iam passear, pois ainda não tinha tido muitas oportunidades para sair e conhecer outros lugares. Mas ao fim de algum tempo, começou a ficar para trás, pois era muito preguiçoso e não lhe apetecia andar.
-Depressa...Temos ainda uma longa caminhada pela frente!-lembrou o pai-Sabes, na tua idade, era muito mais curioso que tu.
Naquele dia, fazia muito calor e a estrada estava coberta de poeira. No entanto, viram uma coisa a brilhar ao longe e repararam que se tratava de uma ferradura.
-Então? De que estás à espera? Vamos apanha-a.
-Não vale a pena inclinar-me para a apanhar. É uma coisa sem valor-respondeu o rapazinho, que tinha sempre a resposta na ponta da língua.
Sem dizer uma palavra, o pai apanhou a ferradura e guardou-a no bolso das calças.
Pararam na primeira aldeia que encontraram, para descansar um pouco. Como conhecia bem aquele lugar, o pai procurou uma loja pequena e depois de trocar algumas palavras com o vendedor, que era seu amigo, conseguiu vender a ferradura em troca de algumas moedas.
Depois, aproximou-se de uma banca de fruta e comprou umas cerejas.
Quando chegou a altura de continuar a viagem, o pai colocou o seu plano em prática, apressou ainda mais o passo e foi deixando as cerejas, uma a uma, enquanto caminhava.
Como era guloso e estava com muita sede, Miguel parava para apanhá-las e comê-las.
-Valeu a pena apanhar aquela ferradura, não foi?-perguntou o pai, em tom de brincadeira.
-É verdade...
O pai sorriu pois tinha a certeza que o rapazinho não iria esquecer-se nunca daquela experiência de vida.
Naquele dia, Miguel aprendeu uma lição valiosa. Não devia desprezar nada, nem mesmo uma ferradura, que estivesse perdida no caminho!
Igor, 6ºF

20/10/09

Uma história do tempo do meu avô!



Comecei o dia a ouvir histórias, que os alunos da turma F trouxeram. Foi um momento fantástico, em que uns se tornaram "contadores de histórias" e outros atentos ouvintes.
A Eva, o Filipe, o Sérgio, o Mussa e a Ana encantaram os colegas, com contos tradicionais, onde se divertiram a descobrir palavras antigas: "botou", "bordão"; "naco" e muitas outras características desse tipo de texto.
Na turma E, continuámos com maravilhosas histórias, contadas com alegria e entusiasmo!
A Telma trouxe um conto em PowerPoint, a Beatriz contou uma história, que fez parte do meu mundo de criança, pois ouvi outra versão dessa história, há muitos anos atrás pela boca do meu avô! Na altura, pensava que o meu avô inventava esses contos mirabolantes, hoje "voei" até à minha infância e partilhei a versão do meu avô de "Atiro a porta mãe?"(...) A turma adorou e riu, pois a versão do meu avô era mais ousada e cómica. Queriam até que eu contasse mais...e não tenho aquela magia que ele tinha! Quem me dera que ele ainda aqui estivesse, para o levar até eles, para contar histórias...
Aqui fica a versão, que a Beatriz nos trouxe:
"Vivia um menino pobre, com sua mãe, nas últimas casas de uma aldeia.
A mãe ia trabalhar, todos os dias, deixando o menino sozinho. Antes de sair recomendava-lhe:
- Não abras a porta a ninguém, nem mostres as nossas verónicas!
O menino respondia-lhe que fosse descansada, porque ele faria conforme ela lhe estava a recomendar.
Mas, certo dia, uns homens, que pareciam boas pessoas bateram à porta e perguntaram ao rapazinho se lá em casa haveria alguma coisa bonita que ele lhes pudesse mostrar.
O menino correu a buscar as verónicas, que a mãe guardava na cómoda do quarto. Os ladrões – porque era isso que eles eram – pegando no saco, imediatamente se foram embora.
Pouco depois, chegou a mãe. O menino estava triste e confessou-lhe o que se tinha passado. A pobre mulher, vendo-se sem o seu tesouro, lançou mãos à cabeça e começou a correr estrada abaixo, pelo caminho que os ladrões tinham seguido.
Entretanto, gritava para o menino que a queria acompanhar:
Fecha a po…o…orta…!!!
Levo a porta, mãe…e…e? – respondia-lhe o menino.
Fecha a po…o…o…orta…!!!
Levo a porta, mãe…e…e?
Sem entender o que a mãe lhe gritava, cada vez mais distante dele, levantou a porta e começou a correr, com ela às costas, ao encontro da sua mãe.
Já muito longe de casa, muito cansados e sem verem o caminho, porque, entretanto, o sol já se tinha posto, mãe e filho resolveram passar a noite em cima de uma azinheira, carregando, também, a porta.
A altas horas, sentem passos… conversas… por entre as árvores do montado. E, qual não foi o seu espanto quando, precisamente debaixo da árvore em que eles estavam, se vieram sentar, discutindo, dois homens carregados de sacos e outros objectos. Eram os ladrões, que se preparavam para dividir, entre si, o que tinham roubado.
Então começaram:
Pataca a ti... pataca a mim…
Pataca a ti... pataca a mim…
A mulherzinha e o filho, em cima da árvore, nem respiravam. A criança na sua imprudência, murmurava à mãe:
Atiro a porta, mãe?
A mãe, com um gesto, tapava-lhe os lábios, gelada de medo. O menino continuava:
Atiro a porta, mãe?
E atirou!
Os ladrões, pensando que era o céu que lhes caía em cima, puseram-se em fuga e não mais voltaram.
Foi assim que mãe e filho puderam recuperar não só as suas verónicas, como também, ganhar muitas outras riquezas que os ladrões abandonaram no chão, debaixo da azinheira."

Publicação em destaque

Dia Mundial da Leitura em Voz Alta

 Eder Cardoso, 6.ºA



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