"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

27/02/26

As classes de palavras, em jeito de poema

 


Num dia claro de sílabas suspensas,
verbo acordou com pressa no peito
e foi à loja da esquina do idioma
comprar flores de pétalas escancaradas
e uma caixa de chocolates
embrulhada em papel de metáforas.

Levava na algibeira
um futuro do indicativo
e nos olhos
um presente perfeito.

Bateu à porta da Poesia:
três toques, pausados,
como quem conjuga o silêncio.

— Sou eu,
disse ele,
sou o verbo que te move as manhãs,
que te acende as frases,
que te percorre os versos.
Venho declarar-te o meu amor
em todos os tempos
e modos.

A Poesia abriu a porta
com um sorriso entre vírgulas,
escutou-lhe a gramática do coração
e, serena como um ponto final,
respondeu:

— Não!

Foi um não breve,
mas irrevogável.

O verbo sentiu-se cair
do infinitivo ao abismo,
e o coração, outrora inteiro,
estalou em fragmentos sonoros.

Cada pedaço, ao tocar no chão,
transformou-se numa  palavra:

Um fragmento tornou-se nome,
para dar corpo às coisas.
Outro fez-se determinante,
a medir o alcance do mundo.
Houve o que se tornou quantificador,
a contar as ausências.
Outro ainda fez-se pronome,
para substituir o que doía dizer.
Outro vestiu-se de adjetivo,
colorindo o que restava.
Nasceu um advérbio,
a explicar como chorava.
Saltou uma interjeição
ai! - ecoando na rua vazia.
Escorreram preposições,
ligando o longe ao perto.
E ergueram-se conjunções,
tecendo pontes
entre o que foi
e o que poderia ter sido.

Espalhadas pelo chão da língua,
as classes de palavras
formaram um novo mapa do sentir.

O verbo, recolhendo-se,
aprendeu a conjugar-se
com prudência.
Estudou os modos do cuidado,
os tempos da espera,
a voz passiva da humildade.

E guardou para si
uma lição escrita em tinta permanente:
não se oferece todo o afeto
num só gesto,
porque há portas que se fecham
antes do ponto final.

Desde então,
quando ama,
o verbo distribui-se
em sílabas contidas
e deixa sempre
uma reserva de futuro
por conjugar.

"A poesia mora Aqui"- Uma casa alentejana, que se veste de poesia








Matilde, 6.ºD

23/02/26

Homenagem à minha professora!





Como seu carinho e dedicação
Ensina-nos muito para além da lição
Mostra que errar faz parte do crescer
E que todo o sonho pode acontecer
Com paciência e alma nos conduz
Acende em cada aluno uma luz
Se hoje temos força para continuar
É porque nos ensina a acreditar
Obrigado por nunca desistir de nós
Seu ensino ecoa em nossa voz
Leva-nos mais longe do que imaginámos
Porque acreditou em tudo o que somos e sonhámos

Zenilson, 6.ºB, "O meu Poeta"

Motivo



Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Cecília Meireles

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