- Oh, que triste vida a minha! Sempre a afiarem-me! Um dia destes ainda desapareço!- queixou-se o lápis.
- Eu cá não tenho culpa! – disse o afia, todo indignado. – Se não te afiasse, não conseguias escrever nada de jeito!
- Isso dizes tu… – resmungou o lápis. – Cada vez fico mais pequenino! Daqui a nada sou só uma pontinha!
Nisto, a borracha, que estava ali ao lado a ouvir tudo, começou a rir-se.
- Vocês discutem por tudo e por nada! – disse ela. – Ao menos tu, lápis, ainda serves para escrever. Eu só apareço quando alguém faz asneira!
- Olha quem fala! – respondeu o lápis. – Sem mim, nem trabalho tinhas!
- E sem mim, os teus erros ficavam todos à mostra! – ripostou a borracha, cruzando-se toda.
Entretanto, o caderno, que já estava farto da conversa, abriu-se e disse:
- Já chega! Vocês os dois são importantes. O lápis escreve, a borracha corrige e o afia ajuda o lápis a continuar. Se trabalharem juntos, fazem coisas incríveis!
O lápis ficou em silêncio por um bocadinho e depois disse:
- Hmmm… se calhar tens razão.
- Pois tenho! – respondeu o caderno, todo orgulhoso.
O afia sorriu e acrescentou:
- Vá, vá, nada de discussões. Temos trabalho a fazer!
E assim, todos juntos, continuaram a ajudar a escrever histórias… mesmo que o lápis ficasse um bocadinho mais pequeno a cada dia.
Manuel, 5.ºC
O relógio correu: tic-tac, tic-tac,
Já estava atrasado, que grande ataque!
A mochila suspirou sem parar:
“Estou tão cansada de tanto pesar!”
O lápis dançou, cheio de energia,
Rabiscando sonhos com muita alegria,
E a borracha, num pulo engraçado,
Gritou: “Esse risco vai ser apagado!”
A cadeira bocejou: “Oh, que canseira…”
Quase adormeceu na sala inteira,
E o livro contou, baixinho assim,
Histórias guardadas só para mim.
Até a janela quis espreitar,
Curiosa com tudo o que estava a passar,
À espera do toque, tão especial,
Que chama todos para o recreio final!


