"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

09/09/09

"Seminário de Educação Especial"

A Escola inclusiva não é só da Educação Especial...É de toda a Escola, é da Educação Regular.
Assim, iniciámos hoje o nosso dia de trabalho. A equipa responsável pela educação especial dinamizou, com muito empenho e profissionalismo este Seminário, que serviu não só para esclarecer os presentes sobre algumas dúvidas que a temática suscita, como para motivar os docentes para "trabalhar" capazmente e com gosto com estas crianças tão especiais.
Todos os docentes cujas turmas integram crianças com Necessidades Educativas Especiais foram convidados.
Fiquei a saber que vou ter uma menina com dificuldades ao nível do espectro do Autismo, mas isso já não me assusta pois, nos últimos dois anos, acompanhei o David e o "Guga", que me recompensaram sempre por todo o empenho.
De facto, considero que esses dois meninos me trouxeram experiências fabulosas, onde a inocência e a verdade, por si só, eram cativantes.
No ano anterior, filmaram uma das minhas aulas com a minha direcção de Turma, onde estava integrado o David.
A dada altura do Seminário, presentearam-nos com essa surpresa, o visionamento do filme! Fiquei emocionada de ver "os meus meninos", a dedicação do Carlos André para com o colega David; o apoio incondicional de toda a turma, que tanto cooperou com a equipa das filmagens nesse dia.
Considero que foi muito positivo este encontro, pois nesta "teia do Ensino Especial", ninguém consegue trabalhar sozinho. É necessário percorrer todo um caminho em conjunto, de "mãos dadas" e nunca esquecer o quão fundamental é amar estas crianças tão únicas, tão especiais.
Todos ficaram mais informados, sobre todo o processo, as medidas a implementar, o papel de cada um e de todos, ao mesmo tempo.
É cada vez mais urgente que todos os docentes vejam a inclusão com "outros olhos"...Muitos recusam ainda um trabalho efectivo, alegando falta de formação nessa área, mas na realidade essa área é um mundo a descobrir e, por vezes, basta tão somente o estar disponível, o gostar dessas crianças.
Como vou ser novamente professora de uma menina, que sofre de perturbações ao nível do espectro do autismo, deixo-vos com uma reflexão:


“Os autistas são estrangeiros em qualquer sociedade. "

Jim Sinclair


"Embora me seja difícil comunicar-me ou compreender as subtilezas sociais, na realidade, tenho algumas vantagens em comparação com os que tu chamas de ‘normais’. Tenho dificuldade em me comunicar, mas não costumo enganar. (...) Minha vida como autista pode ser tão feliz e satisfatória como a tua vida ‘normal’. Nessas vidas, podemos vir a nos encontrar e a partilhar muitas experiências."


Angel Rivière

6 comentários:

Alegria Joie Joy disse...

Hoje foi teu primeiro dia de volta as aulas?
Minha amiga e quem é "Normal"? - Todos nós somos difícies, e o que se apresenta como diferente ou anormal é o que tem tanto para ensinar, tive um tio com necessidades especias, era fantástico ouvi-lo a fazer suas novelas e detalhe ele sabia toda a história sem anotar uma única palavra. Tinha Síndrome de Down, sofreu muito pois na sua época pouco se sabia da doença, e foi dado a ele 7 anos de vida assim que nasceu, viveu até seus 65 anos.
Beijos e boa volta a este trabalho que é tua vida.
Beijos nas fadas.

Renata Vasconcellos.

Maria da Luz Borges disse...

Isabel
Eu considero uma "Graça" trabalhar com estas crianças. Cresce-se sempre dentro e as compensações são sempre mais que todo o trabalho que se possa ter. Eu costumo dizer que estas crianças são o meu milagre, pois elas transportam-me além de mim, do espaço, dos desejos, das vontades, dos medos... É como se me desnudassem do superfulo e me pusessem directamente ligadas à realidade.
Por isso gosto tanto delas. Aproveita bem,como vejo que costumas fazer, o tempo que passas com elas, pois é um tempo de vida único!
Luz

Marta Vasil disse...

Isabel

Primeiro de tudo um bom ano lectivo.

Segundo gostaria de lhe dizer que estive destacada 10 anos nos apoios educativos a trabalhar com alunos com NEE (como se dizia antes em relação às crianças com deficiência ou simplesmente com dificuldades de aprendizagem). Humanamente foram anos de um enorme crescimento pessoal e social, dos quais não me arrependi. Como professora, comecei a dada altura a sentir a necessidade de ter turma e deixei os apoios; posso dizer-lhe que toda a "bagagem" que trouxe desses 10 anos, foram de importância extrema na minha prática pedagógica, sobretudo, na relação com os meninos.
Compreendo muito bem a perspectiva e a forma de afecto com que a Isabel fala desses meninos.

Um beijinho grande


MV

Isabel Preto disse...

Obrigada, Marta:
estar dois anos com o David e o Guga fizeram em mim a certeza de que vale a pena aprender a amar esses meninos, ainda mais especiais que os outros.
Beijinhos.

Isabel Preto disse...

Renata:
sempre tens como me apoiar e pareces conhecer tanto sobre a vida, a humanidade!
O teu tio teve a sorte de ter uma admiradora como tu.
Beijinhos.

Isabel Preto disse...

Minha querida Luz:
cada vez me identifico mais contigo, com essa maneira linda que tens de amar a todos.
Obrigada por te teres tornado tão importante, na minha vida.

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