Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

A manta das histórias...

A pequena aldeia onde Babba Zarrah vivia ficava situada nas montanhas cobertas de neve. Babba Zarrah tinha uma manta das histórias, na qual as crianças adoravam sentar-se a ouvi-la.
Certo dia, enquanto contava uma história, a velhinha reparou que o sapato de Nicolai tinha um buraco. Depois de as crianças terem ido embora, Babba Zarrah decidiu tricotar-lhe umas meias bem quentinhas. Mas, como tinha caído imensa neve naquele Inverno, ninguém aparecera na aldeia a entregar lã. Como poderia ela tricotar meias sem lã?
— Todas as perguntas têm uma resposta — disse a bondosa senhora. — Só tenho de a encontrar.
Deitou chá doce num copo, porque esta bebida ajudava-a a pensar. Bastaram-lhe três golinhos para saber o que havia de fazer.
— Vou desfiar um pouco da manta das histórias e usar a lã para tricotar as meias de Nicolai! — exclamou.
Quando a noite ia alta e já todos dormiam, Babba Zarrah percorreu os caminhos de neve e deixou as meias à porta do menino.
Pouco tempo depois, o carteiro encontrou um cachecol enrolado no seu saco, mesmo antes de começar a distribuição do correio.
— Sabem quem o fez? — perguntou a todos que encontrou.
Mas ninguém sabia.
O professor ficou admirado ao ver um par de luvas quentes em cima da pilha de troncos que ia colocar no fogão da escola.
Quanto à Sra. Ivanov, afastou os corvos da corda de secar a roupa com o avental que descobriu junto à bomba da água.
E não tardou muito até que a dona da mercearia usasse um xaile novo em vez do velho que tinha, já comido pelas traças.
As crianças tinham de sentar-se cada vez mais juntinhas, sempre que vinham ouvir uma história.
Cada dia que passava, os aldeões ficavam mais curiosos.
A bebé Olga recebeu um misterioso e fofinho cobertor, enquanto o talhante exibia um moderno gorro de malha a cobrir a careca brilhante.
E as crianças apertavam-se cada vez mais na, agora, pequena manta das histórias.
Quando o gato do alfaiate apareceu, ronronante e importante, dentro de uma confortável capinha de lã, deixou de haver manta.
Os aldeões pediram ao presidente da junta para os ajudar a resolver o mistério.
— Vocês sabem o que a Babba Zarrah diz sempre — respondeu ele. — Todas as perguntas têm uma resposta.
Quando as crianças viram as meias, o cachecol, as luvas, o avental, o xaile, o gorro, a manta da bebé, e a capinha do gato, exclamaram em uníssono:
— Parece a velha manta das histórias da Babba Zarrah!
— Mas ela já não a tem! — disse Nicolai.
— Ora aí está! A Babba Zarrah usou a manta para fazer tudo isto! É a nossa vez de lhe fazermos uma surpresa.
Então, enquanto Babba Zarrah dormia, alguns novelos de lã, proveniente dos cobertores de cada casa, foram deixados na soleira da sua porta.
A velhinha ficou admirada quando abriu a porta na manhã seguinte. Nunca tinha visto tanta lã, e tão colorida. Em cima do montinho, havia um letreiro que dizia:

Para a sua nova manta


Quando as crianças regressaram a casa de Babba Zarrah para ouvir uma história, sentaram-se numa manta nova e colorida, e ouviram um conto sobre uma aldeia onde todos partilhavam o que tinham.
Enquanto se despedia das crianças, Babba Zarrah reparou num buraco na camisola de Alexandra. Queria tricotar-lhe uma surpresa, mas ainda havia neve nas colinas e a aldeia não tinha lã.
A velhinha sabia que todas as perguntas têm uma resposta. Então, olhou para a sua nova manta das histórias e sorriu.

Ferida Wolff; Harriet May Savitz
The Story Blanket
Atlanta, Peachtree Publishers, 2008

(Tradução e adaptação)

1 comentários:

Mariana Lampreia...a minha artista!

Mariana Lampreia...a minha artista!

Mais uma artista!

Mais uma artista!
outono, visto pela Raquel, 5ºA

Gonçalo Cavaco..."the best"!

Gonçalo Cavaco..."the best"!
"Se eu não fosse imperador,desejaria ser professor.Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro."

D.PedroII

" Não se vê bem senão com o coração. O essencial é invisível para os olhos"

Antoine de Saint- Exupéry - " O Principezinho"

A Bruxa Castanha


Numa casa muito estranha
Toda feita de chocolate
Vivia uma bruxa castanha
Que adorava o disparate
Punha os copos no fogão
As panelas na banheira
Os sapatos nas gavetas
As meias na frigideira
Escrevia com fios de água
Dormia sempre de pé
Cozinhava numa cama
E comia no bidé
Varria a casa com garfos
Limpava o pó com farinha
Deitava 100 gatos na sala
E dormia na cozinha.
António Mota
SER PROFESSOR
"Ser professor é ser artista
malabarista,
pintor, escultor, doutor,
musicólogo, psicólogo...
É ser mãe, pai, irmã, avó,
é ser palhaço, bagaço...
É ser ciência e paciência...
É ser informação.
É ser acção,é ser bússola, é ser farol.
É ser luz, é ser sol.
Incompreendido? ...Muito.
Defendido? Nunca.
O seu filho passou?...
Claro, é um génio.
Não passou?
O professor não ensinou.
Ser professor
é um vício ou vocação?
É outra coisa...
É ter nas mãos o mundo de amanhã.
Amanhã.
Os alunos vão-se...
E ele, o mestre, de mãos vazias,
fica com o coração partido.
Recebe nova turmas,
novos olhinhos ávidos de cultura
e ele, o professor, vai despejando
com toda a ternura, o saber, a orientação
nas cabecinhas novas que amanhã
luzirão no firmamento da pátria
Fica a saudade
A amizade.
O pagamento real?
Só na eternidade."
Autor desconhecido

Provérbio Judaico

"Aprendi muito com os meus mestres, mais com os meus companheiros e mais ainda com os meus alunos."

Alice Vieira

Alice Vieira
Alice Vieira nasceu em 1943 em Lisboa. É licenciada em Germânicas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 1958 iniciou a sua colaboração no Suplemento Juvenil do Diário de Lisboa e a partir de 1969 dedicou-se ao jornalismo profissional. Desde 1979 tem vindo a publicar regularmente livros tendo, actualmente editados na Caminho, cerca de três dezenas de títulos.

Recebeu em 1979, o Prémio de Literatura Infantil Ano Internacional da Criança com Rosa, Minha Irmã Rosa e, em 1983 com Este Rei que Eu Escolhi, o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura Infantil e em 1994 o Grande Prémio Gulbenkian, pelo conjunto da sua obra. Recentemente foi indicada pela Secção Portuguesa do IBBY (International Board on Books for Young People) como candidata portuguesa ao Prémio Hans Christian Andersen. Trata-se do mais importante prémio internacional no campo da literatura para crianças e jovens, atribuído a um autor vivo pelo conjunto da sua obra.

Alice Vieira é hoje uma das mais importantes escritoras portuguesas para jovens, tendo ganho grande projecção nacional e internacional. Várias das suas obras foram editadas no estrangeiro.

Ler pelo prazer de Ler!

"... a arte de ler é exactamente igual à de tocar piano ou qualquer outro instrumento. Como se aprende a gostar de piano? O gostar começa pelo ouvir."
Rubem Alves

Quantos me visitam!