"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

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09/02/10

Uma história de pernas para o ar!

Recebi um livro, quando era pequenina e não fazia ideia do misterioso segredo, nele guardado a sete chaves! Parecia-me um livro comum, igual a tantos outros, mas na realidade um dia veria que era bem diferente e que nunca tinha visto tal coisa!
Fui crescendo, sem nunca abrir o livro, esperei, esperei...até ser mais velha, para finalmente o abrir e descobrir o que por lá se encontrava. Julgava que ia lê-lo e não vivê-lo! Eu passo a explicar melhor...
Caíra a noite, nevara lá fora e eu estava deitada na cama do meu quarto, sem sono.
Voltava-me para um lado e para o outro, até que lancei o olhar sobre a prateleira, onde se encontrava o livro e, num gesto rápido, corri até lá e agarrei-o e sentei-me na cama, de pernas cruzadas com ele na mão e assim que o abri, fui puxada para dentro da história!
Depois acordei, deitada sobre a água! A princípio, não sabia ao certo o que se estava a passar, mas , depois, olhei em meu redor, percebi que estava nada mais, nada menos do que na Cidade do Contra: as pessoas andavam de cabeça para baixo, sobre o mar e nadavam em terra; o sol era prateado e a lua dourada; as casas estavam invertidas; as pessoas entravam e saiam pelas janelas e não pelas portas, os polícias trabalhavam nas quintas e os construtores nos talhos; as enfermeiras, nas papelarias e os escritores, nos supermercados...o doce era amargo e o salgado era ácido, as crianças aprendiam em casa e brincavam na escola, as pessoas altas, eram baixas e em vez de andarem para a frente, andavam para trás; as crianças usavam bengala...enfim, era mesmo um mundo mesmo estranho! Verdade, verdadinha, aquela cidade até era engraçadinha, mas para mim, não há nada melhor que a cidade, onde moro, por isso, desejei voltar, mas pensei:
-Como é que eu saio daqui, sem o livro?
Ele não me ia cair nas mãos, vindo do céu! Tinha que ir à sua procura, mas podia estar em qualquer lado!
Foi então que avistei o livro, mais adiante, a brilhar sobre a água, devido à luz do sol. Corri até lá e assim que o abri, voltei imediatamente para o meu mundo, para o meu quarto.
O sol tinha acabado de nascer, dourado como todos os dias e eu, finalmente, tinha os pés bem assentes na terra. Voltei a lançar o olhar sobre a prateleira e o livro...Com receio que tudo fosse verdade, abri-o novamente e...cheguei à conclusão que estava enganada, ele fazia viver a história, mas não na realidade.
Rita Carmo, 6ºE

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