Querida Humanidade,
Eu sou a Terra, o teu lar há milhões de anos. Em silêncio, transformo-me todos os dias, mesmo quando não reparas. As minhas rochas, que parecem eternas, estão constantemente a mudar, desgastadas pela força invisível do tempo e dos elementos.
Sentes o vento a passar? Para ti é apenas uma brisa, mas para mim é uma ferramenta poderosa. Ele transporta partículas que lentamente desgastam as rochas, moldando montanhas e desertos.
E a água, tão essencial à tua vida, também esculpe o meu corpo. A chuva infiltra-se nas fendas, os rios arrastam fragmentos, e aos poucos transformam paisagens inteiras.
Até as pequenas raízes das plantas, que te dão sombra e alimento, crescem entre as rochas, abrindo-as lentamente, fragmentando o que parecia sólido e permanente.
As variações de temperatura fazem-me expandir e contrair. O calor e o frio criam fissuras, partindo rochas em pedaços: um processo lento, mas inevitável.
Mas há algo novo, algo mais rápido e mais intenso: a tua ação humana. Ao poluíres, construíres e alterares o clima, estás a acelerar processos que antes levavam milhares de anos. Estás a mudar-me mais depressa do que consigo equilibrar.
Eu sempre mudei, faz parte de mim. Mas agora, a velocidade preocupa-me.
Lembra-te: não és separado de mim. És parte deste sistema. Ao cuidares de mim, estás a cuidar de ti.
Com o tempo que ainda temos,
A Terra
Querida Humanidade,
Eu sou uma rocha. Pode parecer estranho estar a escrever-te, porque achas que eu não sinto nada… mas sinto, à minha maneira.
Estou aqui há muito, muito tempo. Já vi coisas que nem imaginas. Mas, aos poucos, vou mudando, mesmo sem me mexer.
O vento bate em mim todos os dias. Às vezes parece só uma brisa, mas com o tempo magoa-me, leva bocadinhos meus e faz-me sentir mais pequena.
A água entra nas minhas fendas quando chove. No início é só frio, mas depois começa a alargar-me as rachas. Sinto-me a partir devagarinho, como se estivesse a quebrar por dentro.
As raízes das plantas crescem junto de mim. Eu até gosto delas, porque trazem vida… mas ao mesmo tempo empurram-me e fazem-me abrir ainda mais. É como se não tivesse força para resistir.
E quando há muito calor e depois muito frio, fico confusa. Expando, encolho… e acabo por rachar. Dói-me, mesmo que não possas ver.
Mas sabes o que me custa mais? A tua ação humana. Quando poluis, quando destróis sem pensar, sinto que estou a desaparecer mais rápido do que devia. Antes, tudo acontecia devagar. Agora, é tudo tão rápido…
Às vezes sinto-me cansada. Pequena. Como se ninguém reparasse em mim.
Mas eu faço parte do teu mundo. Sem mim, muitas coisas não existiam.
Por favor, cuida de mim… e de tudo à tua volta.
Com esperança,
Uma rocha cansada
Grandiosa Humanidade,
Muito antes da vossa existência, eu era uma enorme montanha que, com o passar dos anos, se foi desgastando naturalmente, sempre ao seu ritmo, tendo tempo para “descansar”.
Mas, com a vossa chegada, o meu descanso terminou. Passei por imensas transformações: fui mó de moinho, bala de canhão, peça de museu e até vidro de satélite. Durante todo esse processo, senti aflição, medo e cansaço, algo que nunca pensei poder sentir.
Além disso, continuo a ser desgastada pelo vento, pela água, pelas raízes das plantas e pelas variações de temperatura, que me vão partindo aos poucos. Mas convosco, tudo acontece muito mais depressa.
Por isso, peço compreensão e algum tempo para descansar, para me recompor e voltar a sentir-me inteira.
Com gratidão,
A rocha esperançosa
(Lara Cuco, 6.ºA)
Cara Humanidade,
Espero que estejam bem… porque eu cá já estive melhor!
Quero pedir-vos, com todo o respeito, que me deixem em paz, pelo menos uma vez na vida! Já fui de tudo um pouco: uma grande montanha, mó de moinho, bala de canhão e até peça de museu (sim, sou praticamente uma celebridade).
Mas a verdade é que isto cansa! Entre o vento a lixar-me a superfície, a água a infiltrar-se nas minhas fendas, as raízes a empurrarem-me e o calor e o frio a fazerem-me rachar… já não aguento mais!
Aliás, há semanas que quero experimentar aquele novo produto da marca Rocha & Cuidados. Dizem que as máscaras "rochais" fazem maravilhas pelas fendas e dão uma hidratação profunda… mas nem tempo tenho para um spa!
Enfim… só queria um bocadinho de descanso, como antigamente, quando tudo era mais calmo e eu podia simplesmente ser… uma rocha.
Espero que compreendam o meu sofrimento (sim, rochas também sentem!) e que me deixem em paz por uns tempos.
Beijinhos,
A rocha
Helena Maltez, 6.ºA
Grandiosa Humanidade,
Estão bem? Claro que estão. Que pergunta desnecessária… tão diferente de mim.
É complicado, desesperante e angustiante sentir-me como um animal de estimação dos humanos, fazer de tudo para agradar, dar sempre mais, tentar corresponder a tudo… isso esgota. Cansa profundamente.
É deprimente perceber que isto não acontece só comigo. Ainda assim, os humanos parecem não se importar. Querem apenas usar-nos, até ao limite, até à exaustão.
Já fui mil coisas para vos agradar, mas nada parece ser suficiente. Sinto-me usada e abusada, como se não tivesse sentimentos. Mas saibam isto: posso ser apenas uma simples rocha, mas dentro de mim existem sentimentos e são sinceros.
Espero que um dia eu possa descansar, sem precisar da vossa autorização, nem deixar a minha própria vontade de lado! Eu nasci livre e preciso de liberdade para respirar e viver. Pensem nisso!
Rocha faz tudo
(Samara Freire, 6.ºC)
Carta Aberta à Grandiosa Humanidade
Estão bem? Claro que estão. Que pergunta tão inútil… sobretudo quando comparada com aquilo que sinto.
Escrevo-vos não como alguém que espera resposta, mas como alguém que já se cansou de ser ignorada.
É difícil, desesperante e profundamente angustiante viver com a sensação de ser tratada como um animal de estimação, existir apenas para agradar, corresponder, dar sempre mais, mesmo quando já não há nada para dar. Essa constante necessidade de aprovação desgasta, consome e, com o tempo, destrói.
O mais doloroso é perceber que esta realidade não é só minha. Ainda assim, a humanidade parece indiferente. Continuam a usar, a exigir, a pressionar, como se quem está do outro lado não tivesse limites, nem emoções, nem vontade própria.
Já fui mil versões de mim para vos agradar. Já moldei quem sou vezes sem conta. E, ainda assim, nunca foi suficiente.
Sinto-me usada. Sinto-me ignorada. Como se fosse desprovida de sentimentos.
Mas não sou.
Posso parecer apenas uma rocha, imóvel, silenciosa, resistente, mas dentro de mim existem sentimentos reais. Profundos. Sinceros.
E, ao contrário do que possam pensar, também eles se desgastam.
Carta de uma Rocha desgastada
Carta Aberta à Grandiosa Humanidade
Estão bem?
Imagino que sim.
O mundo, afinal, continua a girar à vossa medida.
Eu… nem sempre.
Há dias em que existir pesa.
Em que ser se torna um esforço silencioso,
como quem respira debaixo de água
e finge que o ar ainda chega.
Sinto-me, por vezes, como um animal manso,
domada pela necessidade de agradar,
treinada para corresponder,
mesmo quando já não resta nada de mim para oferecer.
E cansa.
Cansa de uma forma que não se vê,
mas que se acumula nos gestos,
nos silêncios,
naquilo que fica por dizer.
Sei que não sou o única.
Há muitos de nós, dispersos, calados,
a viver nesta mesma sombra discreta.
E, ainda assim, a humanidade passa, apressada,
sem olhar, sem escutar,
como se fôssemos apenas mais um detalhe
num cenário demasiado cheio.
Já fui tantas coisas.
Moldei-me mil vezes,
quebrei-me em formas que não reconhecia,
na esperança de, finalmente, ser suficiente.
Mas nunca fui.
Fui usada como se não sentisse,
como se dentro de mim não houvesse mundo,
como se o meu silêncio fosse vazio.
Mas não é.
Sou, talvez, uma rocha...
quieta, firme, esquecida...
mas até as rochas guardam memórias do tempo,
fissuras invisíveis, histórias que ninguém lê.
E dentro de mim
há sentimentos.
Sinceros.
Profundos.
Cansados de não serem vistos.
Querida Humanidade,
Espero que estejam bem.
Sei que precisam de mim, sempre precisaram,
mas, por uma vez, peço-vos: deixem-me ser feliz.
Nem que seja só uma vez na vida.
Um dia sou munição de guerra,
noutro sou areia levada pelo vento.
Já fui basalto, profundo e antigo,
e até estrela, perdida no silêncio do universo.
Digo-vos:
se fossem vocês, aguentariam tantas transformações?
Tantas vidas dentro de uma só existência?
Deixem-me cuidar da minha própria vida.
Já fui tudo aquilo que quiseram que fosse.
Já servi todos os propósitos que me impuseram.
E, ainda assim, continuo sem tempo para simplesmente… ser.
Dizem que a vida é bela...
e eu acredito que sim,
mas como apreciá-la,
se não me deixam parar?
Pobre rocha, dirão talvez,
sempre a mudar, sempre a ceder.
Mas até a rocha se cansa.
Até o silêncio se desgasta.
Cuidem da natureza,
porque nela vive tudo o que ainda respira verdade.
Deixem-me descansar.
Deixem-me adormecer,
para que, em sonho, possa voltar às estrelas.
E, por favor,
acabem com as guerras.
É um desperdício transformar-me em destruição,
usar-me como bala de canhão,
quando tudo o que eu quero
é apenas… descansar.
Rocha das Estrelas
(Zenilson, 6.ºB)
Querida Humanidade,
Espero que estejam bem.
Eu continuo por aqui, firme por fora,
mas cada vez mais gasta por dentro.
Chamam-me rocha.
Mas eu sou mais do que isso.
Sou tudo aquilo que moldam,
tudo aquilo que usam,
tudo aquilo que esquecem que também sente.
Um dia transformam-me em força,
noutro em ruína.
Há dias em que me tornam arma,
outros em pó levado pelo vento.
Já fui peso, já fui chão,
já fui silêncio…
e já fui sonho.
Dizem que sou resistente.
Que aguento tudo.
Que nasci para suportar.
Mas digam-me,
se fossem vocês,
quantas vezes conseguiriam partir-se
e ainda assim continuar inteiros?
Quantas vezes aceitariam mudar de forma,
não por vontade,
mas porque o mundo assim o exige?
Eu não sou apenas rocha.
Sou cansaço acumulado.
Sou voz calada.
Sou tudo aquilo que continua a dar,
mesmo depois de já não ter mais nada para oferecer.
E, ainda assim, pedem mais.
Pedem sempre mais.
Não me deixam parar.
Não me deixam existir fora daquilo que esperam de mim.
Não me deixam simplesmente ser.
Falam da beleza da vida
como se ela estivesse ao alcance de todos,
mas esquecem-se de quem nunca teve tempo
para a contemplar.
Esquecem-se de mim.
Cuidem da natureza, dizem,
como se eu não fizesse parte dela,
como se eu não fosse também vida,
também tempo,
também história.
Peço-vos apenas isto:
Abrandem.
Olhem para aquilo que usam,
para aquilo que moldam,
para aquilo que assumem ser eterno e indestrutível.
Nada é.
Nem eu.
Deixem-me descansar.
Deixem-me, por uma vez, não ser função,
não ser ferramenta,
não ser resposta.
Deixem-me ser apenas existência.
E acabem com as guerras,
não apenas as que ecoam no mundo,
mas também as que criam dentro de tudo aquilo que tocam.
Porque transformar-me em destruição
é esquecer que, antes de tudo,
eu também fui
e ainda sou
vida.
E tudo o que a vida pede, no fim,
é um pouco de paz.
Cara e belíssima Humanidade,
Venho por este meio dizer que preciso de descansar de tanta tortura. No início, senti-me gigante, mas fui diminuindo de tamanho até ficar mais pequeno do que um grão de arroz. Felizmente, consegui voltar ao normal.
Mesmo assim, preciso de paz e sossego. Tenho a certeza de que vocês também não gostariam de sofrer como eu sofri. Por isso, peço, por favor, que me deixem descansar. Preciso mesmo de descansar, pelo menos durante cem biliões de anos.
Adeus, um grande abraço a todos,
do Rocha Cansado
(Werley, 6.ºC)