"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

29/04/26

Escrita com recurso à Personificação

Era uma vez, num céu cheio de nuvens, uma nuvem triste que chorava em silêncio. Entre todas, havia também uma nuvem feliz que, ao reparar na tristeza da outra, aproximou-se com delicadeza e perguntou o que se passava.

A nuvem triste, cansada de guardar tudo para si, acabou por desabafar. Falou da solidão que sentia, daquele vazio pesado que carregava dentro dela.

A nuvem feliz ouviu com atenção e, ao perceber a dor da companheira, estendeu-lhe a mão com ternura e levou-a para um lugar distante. Com um sorriso suave, disse-lhe:

— Acalma-te… Eu sei o que estás a sentir. Mas sabes o que pode melhorar o teu dia?

— O quê? — perguntou a nuvem triste, agora curiosa.

— Um passeio no parque! — respondeu a outra, com uma voz acolhedora.

E assim foram as duas nuvens até ao parque. Brincaram, correram e riram como há muito não acontecia. O tempo passou sem que dessem por isso, até que a noite caiu suavemente sobre o céu.

No meio de tantas gargalhadas, os problemas pareciam já não pesar tanto e, por momentos, tinham simplesmente desaparecido.

Ana Margarida Mira, 5.ºC
 

Num cantinho do tempo, onde os dias da semana se encontravam sempre que o mundo adormecia, começou uma discussão animada.

— Eu sou claramente o melhor! — disse o Sábado, esticando-se com ar descontraído. — Toda a gente me adora. Sou sinónimo de descanso e diversão!

— Não te estiques tanto… — respondeu o Domingo, com voz calma. — Eu também sou muito apreciado. Sou o dia da família, dos almoços longos e das sestas.

Sexta-feira entrou na conversa, cheia de energia:

— Desculpem lá, mas sem mim nada disso existia! Eu sou o início da liberdade. Quando eu chego, toda a gente sorri!

Quarta-feira, no meio de tudo, levantou a mão:

— Eu sou o equilíbrio! Nem muito longe do fim, nem muito perto do começo. Sou o ponto perfeito da semana.

Terça-feira encolheu os ombros:

— Eu não sou muito falada… mas ajudo as pessoas a ganhar ritmo.

Quinta-feira acrescentou:

— E eu preparo toda a gente para o fim de semana. Sem mim, a Sexta nem brilhava tanto!

De repente, ouviu-se um suspiro ao fundo. Era a Segunda-feira, de cabeça baixa.

— Pois… e eu? Ninguém gosta de mim — disse, tristemente. — Sou sempre vista como o fim da felicidade…

Houve um silêncio. Até que Sexta-feira falou, desta vez com um tom mais suave:

— Sabes… nós brincamos, mas a verdade é que sem ti nada começava.

Domingo acenou:

— É verdade. És tu que dás oportunidade a novos começos.

Quarta-feira sorriu:

— Cada um de nós tem o seu papel. Juntos, fazemos a semana completa.

Sábado cruzou os braços e admitiu:

— Talvez… talvez todos sejamos importantes à nossa maneira.

A Segunda-feira levantou lentamente o olhar, surpresa.

— A sério?

— A sério — disseram todos em coro.

E naquele momento, perceberam que não havia “melhor dia”. Cada um tinha o seu valor e era isso que tornava a semana especial.

 Leanna e Beatriz Fernandes, 5.ºC

27/04/26

Escrita com recurso à Personificação

 


- Oh, que triste vida a minha! Sempre a afiarem-me! Um dia destes ainda desapareço!- queixou-se o lápis.

- Eu cá não tenho culpa! – disse o afia, todo indignado. – Se não te afiasse, não conseguias escrever nada de jeito!

- Isso dizes tu… – resmungou o lápis. – Cada vez fico mais pequenino! Daqui a nada sou só uma pontinha!

Nisto, a borracha, que estava ali ao lado a ouvir tudo, começou a rir-se.

- Vocês discutem por tudo e por nada! – disse ela. – Ao menos tu, lápis, ainda serves para escrever. Eu só apareço quando alguém faz asneira!

- Olha quem fala! – respondeu o lápis. – Sem mim, nem trabalho tinhas!

- E sem mim, os teus erros ficavam todos à mostra! – ripostou a borracha, cruzando-se toda.

Entretanto, o caderno, que já estava farto da conversa, abriu-se e disse:

- Já chega! Vocês os dois são importantes. O lápis escreve, a borracha corrige e o afia ajuda o lápis a continuar. Se trabalharem juntos, fazem coisas incríveis!

O lápis ficou em silêncio por um bocadinho e depois disse:

- Hmmm… se calhar tens razão.

- Pois tenho! – respondeu o caderno, todo orgulhoso.

O afia sorriu e acrescentou:

- Vá, vá, nada de discussões. Temos trabalho a fazer!

E assim, todos juntos, continuaram a ajudar a escrever histórias… mesmo que o lápis ficasse um bocadinho mais pequeno a cada dia.

 

Manuel, 5.ºC 

 


O relógio correu: tic-tac, tic-tac,
Já estava atrasado, que grande ataque!
A mochila suspirou sem parar:
“Estou tão cansada de tanto pesar!”

O lápis dançou, cheio de energia,
Rabiscando sonhos com muita alegria,
E a borracha, num pulo engraçado,
Gritou: “Esse risco vai ser apagado!”

A cadeira bocejou: “Oh, que canseira…”
Quase adormeceu na sala inteira,
E o livro contou, baixinho assim,
Histórias guardadas só para mim.

Até a janela quis espreitar,
Curiosa com tudo o que estava a passar,
À espera do toque, tão especial,
Que chama todos para o recreio final!

 

26/04/26

A Encruzilhada!

Planificação:

 Personagens/Apresentação e caracterização: Águia: astuta e ousada; Rei, Rainha e Guardas

Espaço: Onde é que acontece a história? Castelo, Encruzilhada

Tempo: Quando é que se passa a história? Há muito, muito tempo

Introdução: Co9mo começa a história? Quem aparece? O que está a acontecer? O rei e a rainha viviam num castelo, a águia aparece e quer que o castelo seja seu

Problema ou situação inesperada: A águia rapta os habitantes do castelo, usando uma poção mágica e deixa-os numa encruzilhada

Desenvolvimento/ações: Um dos guardas tem um mapa, traçam a rota de regresso, passam aventuras e desventuras, regressam ao castelo e derrotam a águia

Conclusão: A paz e harmonia voltam a reinar no castelo 


 

Há muito, muito tempo, um rei e uma rainha viviam num belo castelo rodeado de árvores de fruto. O lugar era tão encantador que, certo dia, uma águia que sobrevoava a região ficou fascinada e decidiu que aquele castelo passaria a ser seu.

A águia era astuta e ousada. Para concretizar o seu plano, disfarçou-se de guarda e infiltrou-se no castelo. Durante o dia, misturava-se com os outros guardas; à noite, preparava-se para agir.

O rei e a rainha tinham o hábito de passear todas as tardes pelos jardins do castelo. Numa dessas caminhadas, depararam-se com um guarda de aparência estranha.

— Quem és tu? — perguntou o rei, franzindo o sobrolho.
— Sou um dos vossos guardas, sua majestade — respondeu a águia, tentando manter a calma.

A rainha, porém, não se deixou enganar. Algo naquele olhar lhe pareceu suspeito.

Chegada a noite, o silêncio instalou-se no castelo. Foi então que a águia, abrindo as suas enormes asas, espalhou uma poção mágica por todos os aposentos. Um a um, todos caíram num sono profundo.

Quando amanheceu, o rei, a rainha e os guardas acordaram… mas já não estavam no castelo. Encontravam-se numa encruzilhada, numa terra longínqua e desconhecida.

— Onde estamos? Numa encruzilhada? — exclamou a rainha, desesperada.
— Fomos raptados! Foi aquela águia disfarçada de guarda! — respondeu o rei, indignado.

Determinados a regressar, o rei ordenou:
— Guardas, procurem um mapa! Temos de encontrar o caminho de volta.

Por sorte, um dos guardas tinha um mapa no bolso. Com ele, traçaram a rota de regresso ao castelo. A viagem foi longa e difícil: atravessaram florestas densas, enfrentaram tempestades e viveram muitas aventuras e desventuras. Demoraram semanas, mas nunca desistiram.

Finalmente, chegaram ao castelo. Lá, enfrentaram a águia num combate corajoso. Os guardas, unidos, conseguiram vencê-la e aprisionaram-na numa sólida jaula.

O rei e a rainha, felizes por terem regressado ao seu lar, recompensaram os guardas pela sua lealdade, bravura e coragem.

E assim, o castelo voltou a ser um lugar de paz, onde, desta vez, todos aprenderam a confiar… mas também a desconfiar quando algo parece fora do lugar.

Érica Silva, 5.ºA 

Narrativa construída a partir de cartões, Arca dos Contos 

A Velha e a Cabaça- Duas Versões

 Aqui ficam duas versões diferentes do conto, pois quem conta um conto, acrescenta um ponto!



  Era uma vez uma velhinha muito esperta que vivia sozinha numa pequena casa na floresta.

 Um dia, decidiu ir visitar a sua netinha, que morava longe, do outro lado do bosque.

Pegou no seu cajado e lá foi ela, caminhando devagarinho pelo meio das árvores. Mas a floresta era perigosa… e não demorou muito até encontrar um lobo faminto.

— Onde vais, velhinha? — perguntou o lobo, lambendo os beiços.

— Vou visitar a minha netinha — respondeu ela, com calma.
— Então vou comer-te já! — disse o lobo.

A velha, muito astuta, respondeu:
— Oh, senhor lobo, não vale a pena! Estou magrinha, pele e osso. Deixa-me ir comer bem em casa da minha neta… depois volto gordinha e saborosa!

O lobo pensou e concordou:
— Está bem… mas na volta eu como-te!

Mais adiante, a velha encontrou um leão (ou nalgumas versões, um urso), que lhe disse exatamente o mesmo. E ela repetiu a mesma resposta, prometendo voltar mais gorda. Assim conseguiu seguir caminho em segurança.

Quando chegou a casa da netinha, contou-lhe tudo. A menina, muito esperta também, teve uma ideia:

— Avó, vamos esconder-te dentro de uma cabaça grande! Assim ninguém te reconhece!

Arranjaram uma enorme cabaça, esvaziaram-na, e a velha entrou lá para dentro. Depois, empurraram a cabaça pela estrada fora.

A cabaça começou a rolar pela floresta:
— Rola, rola, cabaça! Rola sem parar!

No caminho, o lobo viu aquela cabaça a passar e perguntou:
— Cabaça, viste por aí uma velhinha?

E de dentro da cabaça, a velha respondeu com voz disfarçada:
— Vi sim, senhor! Vai lá mais à frente que ela vai longe!

E a cabaça continuou a rolar:
— Rola, rola, cabaça!

Mais à frente, o leão fez a mesma pergunta, e recebeu a mesma resposta. E assim, enganados, deixaram a cabaça seguir.

Até que… já perto de casa, a velha não resistiu e começou a rir.
O lobo ouviu, desconfiou… e percebeu o truque!

Correu atrás da cabaça e tentou apanhá-la — mas já era tarde! A cabaça rolou mais depressa e chegou a casa da velha, onde ela saiu sã e salva.

E assim, com esperteza e alguma ajuda, a velha escapou aos perigos da floresta.

 

Moral da história

A inteligência e a astúcia podem ser mais fortes do que a força bruta.

 

Uma velha tinha muitos netos, um dos quais estava ainda por batizar. 

Um dia a boa velhinha saiu a procurar um padrinho para o seu netinho e no caminho encontrou um lobo, que lhe perguntou:

 «Onde vais tu, velha?»

 Ao que ela respondeu: 

«Vou arranjar um padrinho para o meu neto.» 

«Ó velha, olha que eu como-te!»

 «Não me comas que, quando se batizar o meu menino, dou-te arroz-doce.» 

Foi mais adiante e encontrou outro lobo que lhe fez a mesma pergunta e ela deu-lhe a mesma resposta. 

Depois encontrou um homem que lhe perguntou o que ela ia fazer e, como ela lhe respondesse que ia procurar um padrinho para o seu neto, ele ofereceu-se logo para isso.

 Depois a velha contou-lhe o encontro que tinha tido com os lobos e o homem deu-lhe uma grande cabaça e disse-lhe que se metesse dentro dela que assim iria ter a casa sem que os lobos vissem.

 A velha meteu-se na cabaça e esta começou a correr, a correr, até que encontrou um lobo que lhe perguntou: «Ó cabaça, viste por aí uma velha?»

Não vi velha, nem velhinha;
Não vi velha, nem velhão;
Corre, corre, cabacinha
Corre, corre, cabação.

Mais adiante encontrou outro lobo que perguntou também: «Ó cabaça, viste por aí uma velha?»

Não vi velha, nem velhinha;
Não vi velha, nem velhão;
Corre, corre, cabacinha
Corre, corre, cabação.


Técnica do diálogo: Escrita a partir do texto

 


No dia seguinte, a dona Rosalina foi ao mercado e encontrou a sua grande amiga Arlinda.

— Ó Arlinda, há tanto tempo que não te via! — exclamou Rosalina, radiante.

— É verdade, Rosalina! Então, como tens passado? — perguntou Arlinda, curiosa.

— Tenho andado muito contente! Fui ao batizado do meu netinho. E, nem sabes o que aconteceu — disse Rosalina, baixando um pouco a voz. — Como sou muito teimosa, fui pela serra!

— Ó mulher, tu és doida ou quê? — exclamou Arlinda, assustando-se. — Não sabes que há lobos por lá? Olha que ainda fico com um enfarte!

Rosalina sorriu, com voz tranquila:

— Não te preocupes! Eu sou muito mais esperta do que eles!

— Conta, conta! — implorou Arlinda, ansiosa.

— Então, lá vai… Pelo caminho, encontrei dois lobos, mas enganei-os completamente! Queriam comer-me, mas eu disse-lhes que estava muito magrinha e que, depois do batizado do meu netinho, viria mais gordinha. Até lhes prometi que traria uma taça de arroz-doce com canela.

— E eles acreditaram?! Que tolos! E como voltaste? — exclamou Arlinda, ainda incrédula.

— O meu filho meteu-me dentro de uma cabaça e eu vim a rolar ladeira abaixo! Quando passei pelos lobos e eles me perguntaram se tinha visto uma velhinha, cantei-lhes uma cantiguinha:

"Roda, roda, cabacinha, não vi velha, nem velhinha.
Roda, roda, cabacão, não vi velha, nem velhão!"

Texto Coletivo, 5.ºC 

25/04/26

Escrita a partir da animação "Flying Books"

 


O céu, todo azul, a brilhar;
uma linda rapariga a voar,
balões de livros nas suas mãos:
nada natural, na minha opinião.

Despertou em mim uma curiosidade imensa;
não vou mentir, fiquei com vontade de ler.
Peguei num livro e, logo na primeira página, apaixonei-me.

Continuei, continuei…
histórias misteriosas por descobrir,
de terror para me assustar
e também de romance, para me apaixonar.

Se não tiver cuidado, ainda saio a voar,
aventurando-me e viajando pelas histórias.

 

Samara Freire, 6.ºC 

"Borboleteando"





 
















A estranha e talentosa Chaleira


 Prova Ensaio

Marcadores de Livros


 Tiago, 6.ºB

"Borboleteando"- Borboletas da Poesia


 
                                                                   Ana Luísa, 6.ºC

 

 
Samara Freire, 6.ºC 

 
 Ariane, 6.ºC



 Ariane, 6.ºC


 

Samara, 6.ºC

22/04/26

Carta da Rocha à Humanidade: Projeto Ler Ciências, a partir da animação "An object at rest".


 

Querida Humanidade,

Eu sou a Terra, o teu lar há milhões de anos. Em silêncio, transformo-me todos os dias, mesmo quando não reparas. As minhas rochas, que parecem eternas, estão constantemente a mudar, desgastadas pela força invisível do tempo e dos elementos.

Sentes o vento a passar? Para ti é apenas uma brisa, mas para mim é uma ferramenta poderosa. Ele transporta partículas que lentamente desgastam as rochas, moldando montanhas e desertos.

E a água, tão essencial à tua vida, também esculpe o meu corpo. A chuva infiltra-se nas fendas, os rios arrastam fragmentos, e aos poucos transformam paisagens inteiras.

Até as pequenas raízes das plantas, que te dão sombra e alimento, crescem entre as rochas, abrindo-as lentamente, fragmentando o que parecia sólido e permanente.

As variações de temperatura fazem-me expandir e contrair. O calor e o frio criam fissuras, partindo rochas em pedaços: um processo lento, mas inevitável.

Mas há algo novo, algo mais rápido e mais intenso: a tua ação humana. Ao poluíres, construíres e alterares o clima, estás a acelerar processos que antes levavam milhares de anos. Estás a mudar-me mais depressa do que consigo equilibrar.

Eu sempre mudei,  faz parte de mim. Mas agora, a velocidade preocupa-me.

Lembra-te: não és separado de mim. És parte deste sistema. Ao cuidares de mim, estás a cuidar de ti.

Com o tempo que ainda temos,

A Terra

 

Querida Humanidade,

Eu sou uma rocha. Pode parecer estranho estar a escrever-te, porque achas que eu não sinto nada… mas sinto, à minha maneira.

Estou aqui há muito, muito tempo. Já vi coisas que nem imaginas. Mas, aos poucos, vou mudando, mesmo sem me mexer.

O vento bate em mim todos os dias. Às vezes parece só uma brisa, mas com o tempo magoa-me, leva bocadinhos meus e faz-me sentir mais pequena.

A água entra nas minhas fendas quando chove. No início é só frio, mas depois começa a alargar-me as rachas. Sinto-me a partir devagarinho, como se estivesse a quebrar por dentro.

As raízes das plantas crescem junto de mim. Eu até gosto delas, porque trazem vida… mas ao mesmo tempo empurram-me e fazem-me abrir ainda mais. É como se não tivesse força para resistir.

E quando há muito calor e depois muito frio, fico confusa. Expando, encolho… e acabo por rachar. Dói-me, mesmo que não possas ver.

Mas sabes o que me custa mais? A tua ação humana. Quando poluis, quando destróis sem pensar, sinto que estou a desaparecer mais rápido do que devia. Antes, tudo acontecia devagar. Agora, é tudo tão rápido…

Às vezes sinto-me cansada. Pequena. Como se ninguém reparasse em mim.

Mas eu faço parte do teu mundo. Sem mim, muitas coisas não existiam.

Por favor, cuida de mim… e de tudo à tua volta.

Com esperança,


Uma rocha cansada

 

Grandiosa Humanidade,

Muito antes da vossa existência, eu era uma enorme montanha que, com o passar dos anos, se foi desgastando naturalmente, sempre ao seu ritmo, tendo tempo para “descansar”.

Mas, com a vossa chegada, o meu descanso terminou. Passei por imensas transformações: fui mó de moinho, bala de canhão, peça de museu e até vidro de satélite. Durante todo esse processo, senti aflição, medo e cansaço, algo que nunca pensei poder sentir.

Além disso, continuo a ser desgastada pelo vento, pela água, pelas raízes das plantas e pelas variações de temperatura, que me vão partindo aos poucos. Mas convosco, tudo acontece muito mais depressa.

Por isso, peço compreensão e algum tempo para descansar, para me recompor e voltar a sentir-me inteira.

Com gratidão,


A rocha esperançosa

 (Lara Cuco, 6.ºA) 

 

Cara Humanidade,

Espero que estejam bem… porque eu cá já estive melhor!

Quero pedir-vos, com todo o respeito, que me deixem em paz, pelo menos uma vez na vida! Já fui de tudo um pouco: uma grande montanha, mó de moinho, bala de canhão e até peça de museu (sim, sou praticamente uma celebridade).

Mas a verdade é que isto cansa! Entre o vento a lixar-me a superfície, a água a infiltrar-se nas minhas fendas, as raízes a empurrarem-me e o calor e o frio a fazerem-me rachar… já não aguento mais!

Aliás, há semanas que quero experimentar aquele novo produto da marca Rocha & Cuidados. Dizem que as máscaras "rochais" fazem maravilhas pelas fendas e dão uma hidratação profunda… mas nem tempo tenho para um spa!

Enfim… só queria um bocadinho de descanso, como antigamente, quando tudo era mais calmo e eu podia simplesmente ser… uma rocha.

Espero que compreendam o meu sofrimento (sim, rochas também sentem!) e que me deixem em paz por uns tempos.

Beijinhos,


A rocha

Helena Maltez, 6.ºA

Grandiosa Humanidade,

Estão bem? Claro que estão. Que pergunta desnecessária… tão diferente de mim.

É complicado, desesperante e angustiante sentir-me como um animal de estimação dos humanos,  fazer de tudo para agradar, dar sempre mais, tentar corresponder a tudo… isso esgota. Cansa profundamente.

É deprimente perceber que isto não acontece só comigo. Ainda assim, os humanos parecem não se importar. Querem apenas usar-nos, até ao limite, até à exaustão.

Já fui mil coisas para vos agradar, mas nada parece ser suficiente. Sinto-me usada e abusada, como se não tivesse sentimentos. Mas saibam isto: posso ser apenas uma simples rocha, mas dentro de mim existem sentimentos  e são sinceros.

Espero que um dia eu possa descansar, sem precisar da vossa autorização, nem deixar a minha própria vontade de lado! Eu nasci livre e preciso de liberdade para respirar e viver. Pensem nisso!

Rocha faz tudo

(Samara Freire, 6.ºC)

Carta Aberta à Grandiosa Humanidade

Estão bem? Claro que estão. Que pergunta tão inútil… sobretudo quando comparada com aquilo que sinto.

Escrevo-vos não como alguém que espera resposta, mas como alguém que já se cansou de ser ignorada.

É difícil, desesperante e profundamente angustiante viver com a sensação de ser tratada como um animal de estimação,  existir apenas para agradar, corresponder, dar sempre mais, mesmo quando já não há nada para dar. Essa constante necessidade de aprovação desgasta, consome e, com o tempo, destrói.

O mais doloroso é perceber que esta realidade não é só minha. Ainda assim, a humanidade parece indiferente. Continuam a usar, a exigir, a pressionar, como se quem está do outro lado não tivesse limites, nem emoções, nem vontade própria.

Já fui mil versões de mim para vos agradar. Já moldei quem sou vezes sem conta. E, ainda assim, nunca foi suficiente.

Sinto-me usada. Sinto-me ignorada. Como se fosse desprovida de sentimentos.

Mas não sou.

Posso parecer apenas uma rocha, imóvel, silenciosa, resistente, mas dentro de mim existem sentimentos reais. Profundos. Sinceros.

E, ao contrário do que possam pensar, também eles se desgastam.

Carta de uma Rocha desgastada

Carta Aberta à Grandiosa Humanidade

Estão bem?
Imagino que sim.
O mundo, afinal, continua a girar à vossa medida.

Eu… nem sempre.

Há dias em que existir pesa.
Em que ser se torna um esforço silencioso,
como quem respira debaixo de água
e finge que o ar ainda chega.

Sinto-me, por vezes, como um animal manso,
domada pela necessidade de agradar,
treinada para corresponder,
mesmo quando já não resta nada de mim para oferecer.

E cansa.
Cansa de uma forma que não se vê,
mas que se acumula nos gestos,
nos silêncios,
naquilo que fica por dizer.

Sei que não sou o única.
Há muitos de nós, dispersos, calados,
a viver nesta mesma sombra discreta.
E, ainda assim, a humanidade passa, apressada,
sem olhar, sem escutar,
como se fôssemos apenas mais um detalhe
num cenário demasiado cheio.

Já fui tantas coisas.
Moldei-me mil vezes,
quebrei-me em formas que não reconhecia,
na esperança de, finalmente, ser suficiente.

Mas nunca fui.

Fui usada como se não sentisse,
como se dentro de mim não houvesse mundo,
como se o meu silêncio fosse vazio.

Mas não é.

Sou, talvez, uma rocha...
quieta, firme, esquecida...
mas até as rochas guardam memórias do tempo,
fissuras invisíveis, histórias que ninguém lê.

E dentro de mim
há sentimentos.

Sinceros.
Profundos.
Cansados de não serem vistos.

 

Querida Humanidade,

Espero que estejam bem.
Sei que precisam de mim,  sempre precisaram,
mas, por uma vez, peço-vos: deixem-me ser feliz.

Nem que seja só uma vez na vida.

Um dia sou munição de guerra,
noutro sou areia levada pelo vento.
Já fui basalto, profundo e antigo,
e até estrela, perdida no silêncio do universo.

Digo-vos:
se fossem vocês, aguentariam tantas transformações?
Tantas vidas dentro de uma só existência?

Deixem-me cuidar da minha própria vida.
Já fui tudo aquilo que quiseram que fosse.
Já servi todos os propósitos que me impuseram.

E, ainda assim, continuo sem tempo para simplesmente… ser.

Dizem que a vida é bela...
e eu acredito que sim,
mas como apreciá-la,
se não me deixam parar?

Pobre rocha, dirão talvez,
sempre a mudar, sempre a ceder.
Mas até a rocha se cansa.
Até o silêncio se desgasta.

Cuidem da natureza, 
porque nela vive tudo o que ainda respira verdade.

Deixem-me descansar.
Deixem-me adormecer,
para que, em sonho, possa voltar às estrelas.

E, por favor,
acabem com as guerras.

É um desperdício transformar-me em destruição,
usar-me como bala de canhão,
quando tudo o que eu quero
é apenas… descansar.

Rocha das Estrelas

(Zenilson, 6.ºB) 

Querida Humanidade,

Espero que estejam bem.
Eu continuo por aqui,  firme por fora,
mas cada vez mais gasta por dentro.

Chamam-me rocha.
Mas eu sou mais do que isso.

Sou tudo aquilo que moldam,
tudo aquilo que usam,
tudo aquilo que esquecem que também sente.

Um dia transformam-me em força,
noutro em ruína.
Há dias em que me tornam arma,
outros em pó levado pelo vento.
Já fui peso, já fui chão,
já fui silêncio…
e já fui sonho.

Dizem que sou resistente.
Que aguento tudo.
Que nasci para suportar.

Mas digam-me,
se fossem vocês,
quantas vezes conseguiriam partir-se
e ainda assim continuar inteiros?

Quantas vezes aceitariam mudar de forma,
não por vontade,
mas porque o mundo assim o exige?

Eu não sou apenas rocha.
Sou cansaço acumulado.
Sou voz calada.
Sou tudo aquilo que continua a dar,
mesmo depois de já não ter mais nada para oferecer.

E, ainda assim, pedem mais.

Pedem sempre mais.

Não me deixam parar.
Não me deixam existir fora daquilo que esperam de mim.
Não me deixam simplesmente ser.

Falam da beleza da vida
como se ela estivesse ao alcance de todos,
mas esquecem-se de quem nunca teve tempo
para a contemplar.

Esquecem-se de mim.

Cuidem da natureza, dizem, 
como se eu não fizesse parte dela,
como se eu não fosse também vida,
também tempo,
também história.

Peço-vos apenas isto:

Abrandem.

Olhem para aquilo que usam,
para aquilo que moldam,
para aquilo que assumem ser eterno e indestrutível.

Nada é.

Nem eu.

Deixem-me descansar.
Deixem-me, por uma vez, não ser função,
não ser ferramenta,
não ser resposta.

Deixem-me ser apenas existência.

E acabem com as guerras, 
não apenas as que ecoam no mundo,
mas também as que criam dentro de tudo aquilo que tocam.

Porque transformar-me em destruição
é esquecer que, antes de tudo,
eu também fui
e ainda sou
vida.

E tudo o que a vida pede, no fim,
é um pouco de paz.

 

Cara e belíssima Humanidade,

Venho por este meio dizer que preciso de descansar de tanta tortura. No início, senti-me gigante, mas fui diminuindo de tamanho até ficar mais pequeno do que um grão de arroz. Felizmente, consegui voltar ao normal.

Mesmo assim, preciso de paz e sossego. Tenho a certeza de que vocês também não gostariam de sofrer como eu sofri. Por isso, peço, por favor, que me deixem descansar. Preciso mesmo de descansar, pelo menos durante cem biliões de anos.

Adeus, um grande abraço a todos,

do Rocha Cansado

(Werley, 6.ºC) 

 

 

 

Publicação em destaque

Dia Mundial da Leitura em Voz Alta

 Eder Cardoso, 6.ºA



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