No dia seguinte, a dona Rosalina foi ao mercado e encontrou a sua grande amiga Arlinda.
— Ó Arlinda, há tanto tempo que não te via! — exclamou Rosalina, radiante.
— É verdade, Rosalina! Então, como tens passado? — perguntou Arlinda, curiosa.
— Tenho andado muito contente! Fui ao batizado do meu netinho. E, nem sabes o que aconteceu — disse Rosalina, baixando um pouco a voz. — Como sou muito teimosa, fui pela serra!
— Ó mulher, tu és doida ou quê? — exclamou Arlinda, assustando-se. — Não sabes que há lobos por lá? Olha que ainda fico com um enfarte!
Rosalina sorriu, com voz tranquila:
— Não te preocupes! Eu sou muito mais esperta do que eles!
— Conta, conta! — implorou Arlinda, ansiosa.
— Então, lá vai… Pelo caminho, encontrei dois lobos, mas enganei-os completamente! Queriam comer-me, mas eu disse-lhes que estava muito magrinha e que, depois do batizado do meu netinho, viria mais gordinha. Até lhes prometi que traria uma taça de arroz-doce com canela.
— E eles acreditaram?! Que tolos! E como voltaste? — exclamou Arlinda, ainda incrédula.
— O meu filho meteu-me dentro de uma cabaça e eu vim a rolar ladeira abaixo! Quando passei pelos lobos e eles me perguntaram se tinha visto uma velhinha, cantei-lhes uma cantiguinha:
"Roda, roda, cabacinha, não vi velha, nem velhinha.
Roda, roda, cabacão, não vi velha, nem velhão!"
Texto Coletivo, 5.ºC

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