Era uma vez, num céu cheio de nuvens, uma nuvem triste que chorava em silêncio. Entre todas, havia também uma nuvem feliz que, ao reparar na tristeza da outra, aproximou-se com delicadeza e perguntou o que se passava.
A nuvem triste, cansada de guardar tudo para si, acabou por desabafar. Falou da solidão que sentia, daquele vazio pesado que carregava dentro dela.
A nuvem feliz ouviu com atenção e, ao perceber a dor da companheira, estendeu-lhe a mão com ternura e levou-a para um lugar distante. Com um sorriso suave, disse-lhe:
— Acalma-te… Eu sei o que estás a sentir. Mas sabes o que pode melhorar o teu dia?
— O quê? — perguntou a nuvem triste, agora curiosa.
— Um passeio no parque! — respondeu a outra, com uma voz acolhedora.
E assim foram as duas nuvens até ao parque. Brincaram, correram e riram como há muito não acontecia. O tempo passou sem que dessem por isso, até que a noite caiu suavemente sobre o céu.
No meio de tantas gargalhadas, os problemas pareciam já não pesar tanto e, por momentos, tinham simplesmente desaparecido.
Num cantinho do tempo, onde os dias da semana se encontravam sempre que o mundo adormecia, começou uma discussão animada.
— Eu sou claramente o melhor! — disse o Sábado, esticando-se com ar descontraído. — Toda a gente me adora. Sou sinónimo de descanso e diversão!
— Não te estiques tanto… — respondeu o Domingo, com voz calma. — Eu também sou muito apreciado. Sou o dia da família, dos almoços longos e das sestas.
Sexta-feira entrou na conversa, cheia de energia:
— Desculpem lá, mas sem mim nada disso existia! Eu sou o início da liberdade. Quando eu chego, toda a gente sorri!
Quarta-feira, no meio de tudo, levantou a mão:
— Eu sou o equilíbrio! Nem muito longe do fim, nem muito perto do começo. Sou o ponto perfeito da semana.
Terça-feira encolheu os ombros:
— Eu não sou muito falada… mas ajudo as pessoas a ganhar ritmo.
Quinta-feira acrescentou:
— E eu preparo toda a gente para o fim de semana. Sem mim, a Sexta nem brilhava tanto!
De repente, ouviu-se um suspiro ao fundo. Era a Segunda-feira, de cabeça baixa.
— Pois… e eu? Ninguém gosta de mim — disse, tristemente. — Sou sempre vista como o fim da felicidade…
Houve um silêncio. Até que Sexta-feira falou, desta vez com um tom mais suave:
— Sabes… nós brincamos, mas a verdade é que sem ti nada começava.
Domingo acenou:
— É verdade. És tu que dás oportunidade a novos começos.
Quarta-feira sorriu:
— Cada um de nós tem o seu papel. Juntos, fazemos a semana completa.
Sábado cruzou os braços e admitiu:
— Talvez… talvez todos sejamos importantes à nossa maneira.
A Segunda-feira levantou lentamente o olhar, surpresa.
— A sério?
— A sério — disseram todos em coro.
E naquele momento, perceberam que não havia “melhor dia”. Cada um tinha o seu valor e era isso que tornava a semana especial.
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