"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

22/04/26

Carta da Rocha à Humanidade: Projeto Ler Ciências, a partir da animação "An object at rest".


 

Querida Humanidade,

Eu sou a Terra, o teu lar há milhões de anos. Em silêncio, transformo-me todos os dias, mesmo quando não reparas. As minhas rochas, que parecem eternas, estão constantemente a mudar, desgastadas pela força invisível do tempo e dos elementos.

Sentes o vento a passar? Para ti é apenas uma brisa, mas para mim é uma ferramenta poderosa. Ele transporta partículas que lentamente desgastam as rochas, moldando montanhas e desertos.

E a água, tão essencial à tua vida, também esculpe o meu corpo. A chuva infiltra-se nas fendas, os rios arrastam fragmentos, e aos poucos transformam paisagens inteiras.

Até as pequenas raízes das plantas, que te dão sombra e alimento, crescem entre as rochas, abrindo-as lentamente, fragmentando o que parecia sólido e permanente.

As variações de temperatura fazem-me expandir e contrair. O calor e o frio criam fissuras, partindo rochas em pedaços: um processo lento, mas inevitável.

Mas há algo novo, algo mais rápido e mais intenso: a tua ação humana. Ao poluíres, construíres e alterares o clima, estás a acelerar processos que antes levavam milhares de anos. Estás a mudar-me mais depressa do que consigo equilibrar.

Eu sempre mudei,  faz parte de mim. Mas agora, a velocidade preocupa-me.

Lembra-te: não és separado de mim. És parte deste sistema. Ao cuidares de mim, estás a cuidar de ti.

Com o tempo que ainda temos,

A Terra

 

Querida Humanidade,

Eu sou uma rocha. Pode parecer estranho estar a escrever-te, porque achas que eu não sinto nada… mas sinto, à minha maneira.

Estou aqui há muito, muito tempo. Já vi coisas que nem imaginas. Mas, aos poucos, vou mudando, mesmo sem me mexer.

O vento bate em mim todos os dias. Às vezes parece só uma brisa, mas com o tempo magoa-me, leva bocadinhos meus e faz-me sentir mais pequena.

A água entra nas minhas fendas quando chove. No início é só frio, mas depois começa a alargar-me as rachas. Sinto-me a partir devagarinho, como se estivesse a quebrar por dentro.

As raízes das plantas crescem junto de mim. Eu até gosto delas, porque trazem vida… mas ao mesmo tempo empurram-me e fazem-me abrir ainda mais. É como se não tivesse força para resistir.

E quando há muito calor e depois muito frio, fico confusa. Expando, encolho… e acabo por rachar. Dói-me, mesmo que não possas ver.

Mas sabes o que me custa mais? A tua ação humana. Quando poluis, quando destróis sem pensar, sinto que estou a desaparecer mais rápido do que devia. Antes, tudo acontecia devagar. Agora, é tudo tão rápido…

Às vezes sinto-me cansada. Pequena. Como se ninguém reparasse em mim.

Mas eu faço parte do teu mundo. Sem mim, muitas coisas não existiam.

Por favor, cuida de mim… e de tudo à tua volta.

Com esperança,


Uma rocha cansada

 

Grandiosa Humanidade,

Muito antes da vossa existência, eu era uma enorme montanha que, com o passar dos anos, se foi desgastando naturalmente, sempre ao seu ritmo, tendo tempo para “descansar”.

Mas, com a vossa chegada, o meu descanso terminou. Passei por imensas transformações: fui mó de moinho, bala de canhão, peça de museu e até vidro de satélite. Durante todo esse processo, senti aflição, medo e cansaço, algo que nunca pensei poder sentir.

Além disso, continuo a ser desgastada pelo vento, pela água, pelas raízes das plantas e pelas variações de temperatura, que me vão partindo aos poucos. Mas convosco, tudo acontece muito mais depressa.

Por isso, peço compreensão e algum tempo para descansar, para me recompor e voltar a sentir-me inteira.

Com gratidão,


A rocha esperançosa

 (Lara Cuco, 6.ºA) 

 

Cara Humanidade,

Espero que estejam bem… porque eu cá já estive melhor!

Quero pedir-vos, com todo o respeito, que me deixem em paz, pelo menos uma vez na vida! Já fui de tudo um pouco: uma grande montanha, mó de moinho, bala de canhão e até peça de museu (sim, sou praticamente uma celebridade).

Mas a verdade é que isto cansa! Entre o vento a lixar-me a superfície, a água a infiltrar-se nas minhas fendas, as raízes a empurrarem-me e o calor e o frio a fazerem-me rachar… já não aguento mais!

Aliás, há semanas que quero experimentar aquele novo produto da marca Rocha & Cuidados. Dizem que as máscaras "rochais" fazem maravilhas pelas fendas e dão uma hidratação profunda… mas nem tempo tenho para um spa!

Enfim… só queria um bocadinho de descanso, como antigamente, quando tudo era mais calmo e eu podia simplesmente ser… uma rocha.

Espero que compreendam o meu sofrimento (sim, rochas também sentem!) e que me deixem em paz por uns tempos.

Beijinhos,


A rocha

Helena Maltez, 6.ºA 

 

 

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