"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

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04/03/10

Ainda a propósito de Sherazade!



Conta a lenda que na antiga Pérsia o Rei Shariar descobre que foi traído pela esposa, que tinha um servo por amante, o Rei despeitado e enfurecido matou os dois. Depois, toma uma terrível decisão: todas as noites, casar-se-ia com uma nova mulher e, na manhã seguinte, ordenaria a sua execução, para nunca mais ser traído. Assim procede ao longo de três anos, causando medo e lamentações em todo o Reino.
Um dia, a filha mais velha do primeiro-ministro, a bela e astuta Sherazade, diz ao pai que tem um plano para acabar com a barbaridade do Rei. Todavia, para aplicá-lo, necessita casar-se com ele. Horrorizado, o pai tenta convencer a filha a desistir da ideia, mas Sherazade estava decidida a acabar de vez com a maldição que aterrorizava a cidade.
E assim acontece, Sherazade casa-se com o Rei.
Terminada a breve cerimónia nupcial, o rei conduziu a esposa a seus aposentos, mas, antes de trancar a porta, ouviu uma ruidosa choradeira. “Oh, Majestade, deve ser a minha irmãzinha, Duniazade”, explicou a noiva. “Ela está a chorar porque quer que eu lhe conte uma história, como faço todas as noites. Já que amanhã estarei morta, peço-lhe, por favor, que a deixe entrar para que eu a entretenha pela última vez!”
Sem esperar resposta, a jovem abriu a porta, levou a irmã para dentro, instalou-a no tapete e começou: “Era uma vez um mágico muito malvado...”. Furioso, Shariar esforçou-se ao máximo para impedir a narrativa; resmungou, bufou, tossiu, porém as duas irmãs ignoraram-no. Vendo que de nada adiantava a sua estratégia, ele ficou quieto e pôs-se a ouvir o relato de Sherazade, meio distraído no início, profundamente interessado após alguns instantes. A pequena Duniazade adormeceu, embalada pela voz suave da rainha. O soberano permaneceu atento, visualizando mentalmente as cenas de aventura e romance descritas pela esposa. De repente, no momento mais empolgante, Sherazade silenciou. “Continue!”, Shariar ordenou. “Mas o dia está amanhecendo, Majestade! Já ouço o carrasco afiar a espada!” “Ele que espere”, declarou o rei. Shariar deitou-se e logo dormiu profundamente. Despertou ao anoitecer e ordenou à esposa que concluísse o relato, mas não se deu por satisfeito. “Conte-me outra!”
Sherazade com sua voz melodiosa começou a contar histórias de aventuras de reis, de viagens fantásticas de heróis e de mistérios. Contava histórias, após histórias, deixando o Sultão maravilhado.
Sem que Sheramin percebesse, as horas passaram e o sol nasceu. Sherazade interrompeu uma história na melhor parte e disse:
- Já é de manhã, meu senhor!
O rei interessado na história, deixou Sherazade no palácio para mais uma noite.
E assim Sherazade fez o mesmo naquela noite, contou-lhe mais histórias e deixou a última por terminar. Sempre alegre, ora contava um drama, ora contava uma aventura, às vezes um enigma, noutras uma história real.
Dessa forma passaram-se dias, semanas, meses, anos. E coisas estranhas aconteceram. Sherazade engordou e de repente recuperou seu corpo esguio. Por duas vezes ela desapareceu durante várias noites e retornou sem dar explicação, e o rei nem se dignou perguntar-lhe nada.
Certa manhã ela terminou uma história ao surgir do sol e disse: “Agora não tenho mais nada para lhe contar. Você percebeu que estamos casados há exactamente mil e uma noites?” Um ruído lhe chamou a atenção e, após uma breve pausa, ela prosseguiu; “Estão a bater à porta! Deve ser o carrasco. Finalmente você pode mandar-me para a morte!”.
Quem entrou nos aposentos reais foi, porém, Duniazade, que ao longo daqueles anos se transformara numa linda jovem. Trazia dois gémeos nos braços, e um bebé, que a acompanhava, gatinhando. “Meu amado esposo, antes de ordenar minha execução, você precisa conhecer meus filhos”, disse Sherazade. “Aliás, nossos filhos. Pois desde que nos casamos eu dei-lhe três varões, mas você estava tão encantado com as minhas histórias que nem percebeu nada...” Só então Shariar constatou que sua amargura desaparecera. Olhando para as crianças, sentiu o amor inundar-lhe o coração como um raio de luz. Contemplando a esposa, descobriu que jamais poderia matá-la, pois não conseguiria viver sem ela.
Assim, escreveu a seu irmão e propôs que se casasse com Duniazade. O casamento realizou-se numa dupla cerimónia, pois Shariar casou com Sherazade pela segunda vez, e os dois reis reinaram felizes até o fim de seus dias.
Podemos concluir com esta história contada por Sherazade que: "A liberdade conquista-se com o exercício da criatividade."

Observação: Entre as histórias contadas por Sherazade ao Rei estavam:"Aladino e a Lâmpada Mágica", "Simbad, o Marinheiro" ,"Ali Babá e os Quarenta Ladrões" e muitas outras.

2 comentários:

Leonor Lourenço disse...

Belo texto Isabel. Quem o escreveu? BJ Leonor

Isabel Preto disse...

Sinceramente, não sei, Nô. Conhecia a lenda, até porque o meu marido não se cansa de a recordar(ele tem orgulho na obra:"Mil e uma noites", pois é de origem árabe)...este texto encontrei.o assim na net.
Beijinhos.

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