Revolução
Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta
Como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício
Como a voz do mar
Interior de um povo
Como página em branco
Onde o poema emerge
Como arquitectura
Do homem que ergue
Sua habitação
Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"
"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"
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24/04/10
Poemas de Abril!
A Revolução
teve uma flor
o cravo.
Não teve um animal
e, como tal,
proponho o elefante
tão paciente e sofredor
durante tanto ano
mas quando a paciência se esgotou
foi coisa de se ver
violento
eficaz
empolgante.
Depois, voltou a ser
lento
bom rapaz
algo distante.
Mas, atenção
nunca se viu morrer
um elefante!
Ser ou não ser Carneiro?
Votava de cruz
à ordem do pastor
mas veio Abril
e já começa a ter cor
e já começa a saber
o que quer
e já começa a votar
a pensar
pela própria cabeça
e não pela cabeça do parceiro.
Em resumo já não é carneiro.
teve uma flor
o cravo.
Não teve um animal
e, como tal,
proponho o elefante
tão paciente e sofredor
durante tanto ano
mas quando a paciência se esgotou
foi coisa de se ver
violento
eficaz
empolgante.
Depois, voltou a ser
lento
bom rapaz
algo distante.
Mas, atenção
nunca se viu morrer
um elefante!
Ser ou não ser Carneiro?
Votava de cruz
à ordem do pastor
mas veio Abril
e já começa a ter cor
e já começa a saber
o que quer
e já começa a votar
a pensar
pela própria cabeça
e não pela cabeça do parceiro.
Em resumo já não é carneiro.
Carlos Pinhão, Bichos de Abril
Etiquetas:
Abril,
datas comemorativas
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