Comecei o dia a ouvir histórias, que os alunos da turma F trouxeram. Foi um momento fantástico, em que uns se tornaram "contadores de histórias" e outros atentos ouvintes. A Eva, o Filipe, o Sérgio, o Mussa e a Ana encantaram os colegas, com contos tradicionais, onde se divertiram a descobrir palavras antigas: "botou", "bordão"; "naco" e muitas outras características desse tipo de texto.
Na turma E, continuámos com maravilhosas histórias, contadas com alegria e entusiasmo!
A Telma trouxe um conto em PowerPoint, a Beatriz contou uma história, que fez parte do meu mundo de criança, pois ouvi outra versão dessa história, há muitos anos atrás pela boca do meu avô! Na altura, pensava que o meu avô inventava esses contos mirabolantes, hoje "voei" até à minha infância e partilhei a versão do meu avô de "Atiro a porta mãe?"(...) A turma adorou e riu, pois a versão do meu avô era mais ousada e cómica. Queriam até que eu contasse mais...e não tenho aquela magia que ele tinha! Quem me dera que ele ainda aqui estivesse, para o levar até eles, para contar histórias...
Aqui fica a versão, que a Beatriz nos trouxe:
"Vivia um menino pobre, com sua mãe, nas últimas casas de uma aldeia.
A mãe ia trabalhar, todos os dias, deixando o menino sozinho. Antes de sair recomendava-lhe:
- Não abras a porta a ninguém, nem mostres as nossas verónicas!
O menino respondia-lhe que fosse descansada, porque ele faria conforme ela lhe estava a recomendar.
Mas, certo dia, uns homens, que pareciam boas pessoas bateram à porta e perguntaram ao rapazinho se lá em casa haveria alguma coisa bonita que ele lhes pudesse mostrar.
O menino correu a buscar as verónicas, que a mãe guardava na cómoda do quarto. Os ladrões – porque era isso que eles eram – pegando no saco, imediatamente se foram embora.
Pouco depois, chegou a mãe. O menino estava triste e confessou-lhe o que se tinha passado. A pobre mulher, vendo-se sem o seu tesouro, lançou mãos à cabeça e começou a correr estrada abaixo, pelo caminho que os ladrões tinham seguido.
Entretanto, gritava para o menino que a queria acompanhar:
Fecha a po…o…orta…!!!
Levo a porta, mãe…e…e? – respondia-lhe o menino.
Fecha a po…o…o…orta…!!!
Levo a porta, mãe…e…e?
Sem entender o que a mãe lhe gritava, cada vez mais distante dele, levantou a porta e começou a correr, com ela às costas, ao encontro da sua mãe.
Já muito longe de casa, muito cansados e sem verem o caminho, porque, entretanto, o sol já se tinha posto, mãe e filho resolveram passar a noite em cima de uma azinheira, carregando, também, a porta.
A altas horas, sentem passos… conversas… por entre as árvores do montado. E, qual não foi o seu espanto quando, precisamente debaixo da árvore em que eles estavam, se vieram sentar, discutindo, dois homens carregados de sacos e outros objectos. Eram os ladrões, que se preparavam para dividir, entre si, o que tinham roubado.
Então começaram:
Pataca a ti... pataca a mim…
Pataca a ti... pataca a mim…
A mulherzinha e o filho, em cima da árvore, nem respiravam. A criança na sua imprudência, murmurava à mãe:
Atiro a porta, mãe?
A mãe, com um gesto, tapava-lhe os lábios, gelada de medo. O menino continuava:
Atiro a porta, mãe?
E atirou!
Os ladrões, pensando que era o céu que lhes caía em cima, puseram-se em fuga e não mais voltaram.
Foi assim que mãe e filho puderam recuperar não só as suas verónicas, como também, ganhar muitas outras riquezas que os ladrões abandonaram no chão, debaixo da azinheira."
A mãe ia trabalhar, todos os dias, deixando o menino sozinho. Antes de sair recomendava-lhe:
- Não abras a porta a ninguém, nem mostres as nossas verónicas!
O menino respondia-lhe que fosse descansada, porque ele faria conforme ela lhe estava a recomendar.
Mas, certo dia, uns homens, que pareciam boas pessoas bateram à porta e perguntaram ao rapazinho se lá em casa haveria alguma coisa bonita que ele lhes pudesse mostrar.
O menino correu a buscar as verónicas, que a mãe guardava na cómoda do quarto. Os ladrões – porque era isso que eles eram – pegando no saco, imediatamente se foram embora.
Pouco depois, chegou a mãe. O menino estava triste e confessou-lhe o que se tinha passado. A pobre mulher, vendo-se sem o seu tesouro, lançou mãos à cabeça e começou a correr estrada abaixo, pelo caminho que os ladrões tinham seguido.
Entretanto, gritava para o menino que a queria acompanhar:
Fecha a po…o…orta…!!!
Levo a porta, mãe…e…e? – respondia-lhe o menino.
Fecha a po…o…o…orta…!!!
Levo a porta, mãe…e…e?
Sem entender o que a mãe lhe gritava, cada vez mais distante dele, levantou a porta e começou a correr, com ela às costas, ao encontro da sua mãe.
Já muito longe de casa, muito cansados e sem verem o caminho, porque, entretanto, o sol já se tinha posto, mãe e filho resolveram passar a noite em cima de uma azinheira, carregando, também, a porta.
A altas horas, sentem passos… conversas… por entre as árvores do montado. E, qual não foi o seu espanto quando, precisamente debaixo da árvore em que eles estavam, se vieram sentar, discutindo, dois homens carregados de sacos e outros objectos. Eram os ladrões, que se preparavam para dividir, entre si, o que tinham roubado.
Então começaram:
Pataca a ti... pataca a mim…
Pataca a ti... pataca a mim…
A mulherzinha e o filho, em cima da árvore, nem respiravam. A criança na sua imprudência, murmurava à mãe:
Atiro a porta, mãe?
A mãe, com um gesto, tapava-lhe os lábios, gelada de medo. O menino continuava:
Atiro a porta, mãe?
E atirou!
Os ladrões, pensando que era o céu que lhes caía em cima, puseram-se em fuga e não mais voltaram.
Foi assim que mãe e filho puderam recuperar não só as suas verónicas, como também, ganhar muitas outras riquezas que os ladrões abandonaram no chão, debaixo da azinheira."