"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

03/05/09

Tchim, a droga e o Benjamim...


Tchim, a droga e o Benjamim é mais uma obra de Graça Gonçalves, preciosamente ilustrado por Teresa Lima, licenciada em pintura e internacionalmente premiada pelas ilustrações de grande delicadeza plástica. O tema escolhido é deveras difícil para a compreensão infantil, mas a autora, médica de profissão, consegue ultrapassar, com talento, tais dificuldades, numa prosa poética que, sem ocultar os malefícios da droga, os seus terríveis efeitos que levam, na história, ao suicídio de um traficante, permitem uma leitura cheia de beleza. No entanto, deparamos com o adolescente e sensível Benjamim, "na flor da idade", primo do protagonista Tchim, mas mais velho do que este, a deixar-se envolver na rede dos sonhos artificiais, de cuja habituação consegue, por fim, libertar-se, através do amor, ainda que a tentação do vício o ronde sem repouso. Um crítico da obra comenta, com acerto, tratar-se de uma escrita de paixão lúcida, constituindo um apelo e um aviso à esperança. Por isso, o Ministério da Educação e o Projecto Vida recomendam esta obra, para levar os jovens a "fugir da ilusão desses vendedores de sonhos ou pesadelos", como lhes chama Tchim!
Em Área de Projecto, decidimos aproveitar esta obra, para levar a cabo uma pequena pesquisa, que culminará com a elaboração de um desdobrável a divulgar na escola, pois é urgente desviar os nossos alunos desses trilhos da morte!
Será já esta semana que daremos início ao Projecto, com a exibição do filme, com o mesmo nome da obra, que servirá de motivação, para o trabalho.

Poema de José Régio


Quando eu nasci




Quando eu nasci, ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores ,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
P'ra que o dia fosse enorme,
bastava toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...


José Régio

01/05/09

Quando eu for pequeno!





Quando Eu For Pequeno



Quando eu for pequeno, mãe,



quero ouvir de novo a tua voz



na campânula de som dos meus dias



inquietos, apressados, fustigados pelo medo.



Subirás comigo as ruas íngremes



com a certeza dócil de que só o empedrado



e o cansaço da subida me entregarão ao sossego do sono.






Quando eu for pequeno, mãe,



os teus olhos voltarão a ver



nem que seja o fio do destino



desenhado por uma estrela cadente



no cetim azul das tardes



sobre a baía dos veleiros imaginados.






Quando eu for pequeno, mãe,



nenhum de nós falará da morte,



a não ser para confirmarmos



que ela só vem quando a chamamos



e que os animais fazem um círculo



para sabermos de antemão que vai chegar.






Quando eu for pequeno, mãe,



trarei as papoilas e os búzios



para a tua mesa de tricotar encontros,



e então ficaremos debaixo de um alpendre



a ouvir uma banda a tocar



enquanto o pai ao longe nos acena,



lenço branco na mão com as iniciais bordadas,



anunciando que vai voltar porque eu sou pequeno



e a orfandade até nos olhos deixa marcas.






José Jorge Letria, in "O Livro Branco da Melancolia"

Publicação em destaque

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 Eder Cardoso, 6.ºA



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