"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

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10/09/20

A flor mais bela...


 

 "A flor mais bonita do mundo chama-se infância. É a flor que faz florir o mundo. Dá-se bem onde há luz e carinho. Retribui o bem que lhe é feito. Flor de bem querer. Nunca pouco ou nada. É uma flor que dá fruto. Flor que perfuma a vida, flor cor, flor coração, flor que sabe de cor o amor. Flor que guarda o espanto do mundo. A infância é a flor do início. É o princípio de tudo e os princípios devem ser respeitados. As crianças são a vida a começar. Nenhuma vida devia começar mal. As crianças são as flores que não deixam a esperança murchar nem o coração secar. As crianças são as flores do jardim mais belo."

Elisabete Bárbara




Conheci a escola dos abraços

 



Não têm conta as escolas onde fui, e todas são diferentes! Mas nelas há sempre meninos perguntadores que gostam de fazer entrevistas e fãs que adoram pedir autógrafos aos escritores.
Calhou um dia visitar a Casa Pia, onde os garotos internados não podiam comprar livros. Mas, no fim da sessão, faziam fila com papelinhos nas mãos para eu assinar e, por cada assinatura, pediam um beijo ou um abraço. Lá fui cumprindo o meu papel, rabiscando e distribuindo afetos sem parar. Só que a fila nunca mais acabava. De onde apareciam tantas crianças? Muitas mais do que as que tinham estado sentadas a ouvir-me ! Nasciam do chão? Caíam do teto? Resolvi prestar atenção. Fixei algumas e, para espanto meu, vi-as regressar com novo papelinho. Então, dirigi-me a uma e perguntei-lhe:
- Porque é que vocês vêm pedir autógrafos várias vezes?
- Porque queremos mais abraços!
Dei-lhe um abraço de apertado e sentido. Quantos lhe terão faltado pela vida fora? Também para mim aqueles abraços foram importantes, porque quem mos dava eram os amigos imaginários, desconhecidos, a quem dediquei, em silêncio, a minha vida, com quem partilhei não só histórias mas o mais fundo da minha intimidade, através da escrita.
Ofereci-lhes os livros que trazia comigo. Na despedida, um dos meninos chamou-me à parte.
- Toma este berlinde. É o que joga melhor.
Escusei-me a trazê-lo, mas ele tanto insistiu...Hoje tenho-o na minha mesinha de cabeceira e nunca dele me irei apartar.
 
Luísa Ducla Soares. In. Luísa: As histórias da minha vida

E tu, o que trazes no coração?

 

 

Trago dentro do meu coração,

Como num cofre que se não pode fechar de cheio,

Todos os lugares onde estive,

Todos os portos a que cheguei,

Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,

Ou de tombadilhos, sonhando,

E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

 

 

Álvaro de Campos

Il. Nino Chakvetadze

 


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