É hoje. Hoje é Natal.
Vasculhava as gavetas com pressa, o coração acelerado. Não tinha nada para oferecer à minha família. Espreitava pela frincha da porta e via os meus pais e os meus irmãos mais velhos a colocarem os presentes debaixo da árvore de Natal. Voltei ao quarto e procurei ainda mais depressa, mas rapidamente me apercebi de que não tinha nadinha para lhes dar.
Sentei-me na ponta da cama, com os olhos marejados de lágrimas.
De súbito, surgiu-me uma ideia.
Fui discretamente até ao sótão e deparei-me com algo que guardava há muito tempo: uma caixa velha e empoeirada. Mas não era apenas uma caixa. Abri-a e encontrei várias cassetes pretas. Fechei-a com cuidado e levei-a rapidamente para a sala, onde a minha família estava reunida. Coloquei a caixa no chão, com um som seco.
Todos os olhares se voltaram para mim. Respirei fundo e comecei a explicar tudo o que tinha acontecido, do início ao fim. A minha mãe fechou os olhos durante alguns segundos, o meu pai cruzou os braços e os meus irmãos sussurraram entre si.
Coloquei as cassetes no leitor.
No ecrã surgiram os vídeos mais engraçados e os mais marcantes — aniversários, risos espontâneos e, sobretudo, as minhas travessuras mais ousadas. Pouco a pouco, a sala mergulhou num silêncio profundo, não de estranheza, mas de respeito e emoção.
E ali, naquele momento, todos compreenderam algo que nunca antes tinham pensado: o Natal não é feito de presentes, de mesas fartas ou de músicas. O Natal é feito de memórias, de família e do amor que nos une.
Jennifer, 6.ºB

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