"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"

07/03/12

Um texto escrito com a alma...

A Alegria de viver

A alegria de viver é gostar de viver e “agarrar-se” à vida com todas as forças. A professora pediu-nos para fazer um texto sobre a alegria de viver e logo me lembrei da minha avó paterna!
A minha avó trabalhou uma vida inteira e dizia sempre que se reformava, quando tivesse um neto, para cuidar dele...Mas a minha mãe, após dois anos de tentativas, engravidou finalmente, pensando que ia realizar o sonho da minha avó...Só que ficou muito doente e nunca chegou a poder cuidar de mim.
Admiro-a muito e ela é um exemplo de vida e mostra-nos bem o que é a alegria de viver, apesar das dificuldades da vida!
Ficou sem as pernas, mas ainda trabalha e ajuda em tudo que pode.
Se isto não é alegria de viver, então não sei o que será!
Amo a minha avó e, quando a professora me pedir para ler o texto, se calhar nem vou conseguir, porque a emoção de pensar na minha avó me faz chorar.
Visito-a sempre que posso, mas não consigo estar com ela o tempo que desejaria.

Fábio Carretas, 5ºA
Acho que não vale a pena dizer nada...Vai haver um Concurso na Escola com este tema e o Fábio surpreendeu-me assim! É por estas razões e muitas outras, que continuo a acreditar. Obrigado, Fábio.

Dá asas à tua imaginação...






Cada vez mais, estou a aprender a "apagar" da minha memória os momentos que me desagradam e a olhar bem fundo, para o que vale a pena. Ainda ontem, a propósito de qualquer coisa, nem me lembro bem o quê...o Felipe, aluno do 5ºA, exclamou:
-"Pois é professora, o D tem de aprender a esquecer o que faz sofrer e pôr o resto no lixo!"
Ficou-me a frase e cá estou eu, então, só para dar conta de pequenas delícias, de gestos simples que me enchem a alma e fazem brilhar os olhos.
Mais uma vez, recebi "estagiárias"...Ser estagiária da ESE, nos tempos que correm, já não é como no meu tempo! Viajo no tempo e...vejo-me uma "miúda tímida" de vinte anos incompletos (pois comecei a "dar aulas" sozinha com 21!)...Durante um ano inteiro, à vez, semana sim, semana não, eu e outra colega de estágio, demos aulas no 1ºCiclo. Preparávamos tudo em conjunto, fosse a minha vez ou a dela. A professora titular não fazia nada...A turma ficou por nossa conta...Foi difícil? Talvez, mas só me lembro de procurar ideias, inventar recursos e...como gostei dessa minha primeira experiência! No ano seguinte, em escolas diferentes ainda por cima, escolas do 2ºCiclo, em Bragança, eu e a Armanda ficámos ainda com mais "trabalho"...ou talvez alegria, porque estávamos ávidas de experimentar...de ser professoras. Mais uma vez, numa semana ela "dava Português" e eu "dava Francês", depois trocávamos. Recordo que até outros colegas eu ajudava a preparar aulas de Francês, que era a minha verdadeira paixão e vocação...Ainda o é, mas agora o Francês tornou-se um sonho cada vez mais distante...Já fui uma excelente professora de Francês, digo-o sem vaidade, mas com convicção, pois Francês é mesmo a minha "praia" favorita...Desde que vim para a PEL...tive de deixar de sonhar em Francês. Mas gosto de ser professora e...pronto! Quando se gosta, tenta-se fazer o melhor, quer seja o Francês ou o Português.
Mas não foi para falar de mim, que vim aqui...estes estágios de agora são diferentes: conheci oito raparigas até ao momento, que assistiram em grupos a duas aulas de 90 minutos de cada turma...sentaram-se, escreveram coisas que não vi...conversaram baixinho...No entanto, descobri nesses pares, duas "professoras" fantásticas...que no pouco que lhes é permitido quiseram, de facto, experimentar e fazer. Revivi os meus tempos de estagiária! Identifiquei-me com ambas, porque se vê à distância que adoram esta profissão, que nasceram para educar!
Na primeira aula, assistiram, mas com uma atenção aos alunos notável...como se lhes custasse apenas observar. Falámos muito no final da aula...Na segunda turma, já se proporcionou a entreajuda...circularam pela sala, deram ideias, confortaram uma aluna que estava triste...aprendi com elas. Foi então que me lançaram a proposta...Numa Formação, a Lúcia ficara fascinada com técnicas de escrita...Percebi que adoravam experimentar e conclui...se quiserem, podem preparar a aula do 6ºA. É uma turma simpática, mas onde as dificuldades de escrita se notam mais. Valeu a pena, "lavaram-me a alma"...
O relato vai longo, mas a experiência merece ser contada. É algo parecido com " A arca dos contos", mas mais simples, inovador...lindo! Motivaram a turma, ofereceram-lhes a hipótese de guardar nesta linda caixa, chamemos-lhe "o tesouro da escrita", os seus textos, deram continuidade ao que fizera na aula anterior e...consolidaram as três palavras-chave das fábulas: Personificação, texto curto, com moralidade. A pares, todos escreveram! Os textos surpreenderam-nos...Alguns ainda foram lidos em voz alta, mas vimos todos os grupos, todos os textos...Começou a haver alguma agitação e conseguiram "fazê-los acalmar"...de uma maneira simplesmente espantosa: "Querem ler, não querem? Então, têm de ouvir os colegas"...Funcionou em pleno e...nunca esquecerei esta aula, que começou com uma simples tabela...escolhendo um número, os pares descobriram as palavras-chave e...vamos escrever!
Resta-me acrescentar que fiquei com a caixa...nessa caixa temos imensas possibilidades: explorar/escrever Bandas Desenhadas, Outras Fábulas, Textos dramáticos, até Adivinhas...Aliás, ao apresentarem ontem os textos, cada par iniciava com uma adivinha inventada por eles mesmo, para que a turma descobrisse a personagem do texto...Deixo-vos com as imagens...Obrigada, às duas "meninas" com quem me identifiquei inteiramente e com quem, de certeza, aprenderia ideias novas, maravilhosas...Partilhar assim, vale a pena.
Já lhes expliquei como vou trabalhar na sexta feira, na outra turma, vão assistir, mas já melhoraram algo: em vez de dizer, vamos ver quantas erraste, é mais correto dizer, vamos ver quantas acertaste. É bem verdade, os novos Programas sugerem sempre algo pela positiva, evidenciar o que o aluno faz de certo e não o contrário. Faço isso, o melhor que consigo, mas nem sempre nos sai a palavra certa...e foi bom ter-lhes antecipado a aula...assim, é mais uma coisa que farei melhor.
O 6ºD está a selecionar e/ou escrever um texto novo e vão ilustrar esse texto, em jeito de livrinho...Tenho já alguns, sobretudo textos. A maioria escreveu um novo, por isso, não tenho tido "mãos a medir", para os melhorar e devolver, antes que os alunos possam concluir o trabalho, outros escolheram textos anteriores, também da sua autoria, alguns até foram buscar textos do 5ºano, que fizeram comigo e...é isso que me dá prazer...vou partilhá-lo com estas duas estagiárias...Vê-se bem que serão profissionais de sucesso, pois vibram com este contacto com os alunos.
PS:

Ainda outra ideia...de seguida, fui para o 5ºA...a Débora só queria saber o que tinha a caixa...prometi que vou experimentar com a turma deles e que ficasse a imaginar o que seria "dar asas à imaginação"...Já estão ansiosos por essa aula!

04/03/12

O príncipe e o Gigante Golias!

A partir de um PowerPoint sobre como construir histórias, a que se chama vulgarmente "Fábrica de Histórias"...consegui textos que me agradaram em duas das turmas, onde experimentei fazê-lo. Uma dessas turmas é muito heterogénea e vários alunos apresentam dificuldades, nomeadamente ao nível da escrita e da leitura. Considero que a escrita orientada, com vários tópicos de apoio, ajudam imenso esses alunos, continuando a estimular os alunos considerados excelentes, como é o caso de vários no 6ºD.
Hoje apresento alguns exemplos de textos construídos a pares, na minha direção de turma, 5ºA, onde alguns alunos têm dificuldades, mas demonstram força de vontade e onde os progressos se têm, de facto, verificado. Quem diria que uma das alunas, que antes se recusava a ler...agora já lê, mesmo por iniciativa dela? Claro que é uma leitura ainda pouco expressiva, com muitas dificuldades, mas vê-la querer ler já é muito importante para mim.
Aqui ficam:
Quando eu era pequeno sonhava ser príncipe, mas era apenas o jardineiro do rei.
Certo dia, estando a cortar relva, parei de trabalhar, para ir beber água e ouvi a conversa do rei com os seus conselheiros, apercebendo-me que o rei precisava de alguém para se candidatar a cumprir uma missão.
Fui logo ter com o rei, afirmando-lhe que eu iria cumprir essa tal missão, mas o rei retorquiu, olhando para mim:
-Tu és muito jovem, és apenas um miúdo! Nunca irias conseguir derrotar o gigante Golias...
Mesmo assim, insisti e ofereci-me novamente para ir. Então, o rei pegou na sua melhor armadura, disse-me que a vestisse e deu-me, a seguir, uma enorme espada!
Rejeitei essas oferendas, dizendo-lhe que precisava apenas da minha inteligência e de um engenho que eu construíra, parecido com uma fisga.
O rei não acreditou muito na minha vitória, mas acabou por me deixar tentar, explicando-me que o Gigante morava no vale das Sombras...Como prova, exigia a cabeça do Gigante.
Mal cheguei a esse triste vale, avistei o temível Gigante e gritei:
-O rei mandou-me cortar a tua cabeça, para que deixes o nosso Povo em paz!
O Gigante aprontou-se para lutar...Pegou numa enorme espada e eu no meu engenho, onde coloquei uma pedra. Quando o Gigante começou a correr em minha direção, girei o meu engenho, a pedra soltou-se e acertou bem no centro da testa do Gigante! Ele desmaiou e caiu para trás, fazendo a terra estremecer com o peso imenso dele!
Cheio de orgulho, peguei na espada dele e cumpri a promessa que fizera ao rei.
Como recompensa, o rei deu-me a mão da sua linda filha em casamento, com quem mais tarde vim a casar.
No dia do casamento, o rei, seu pai, disse:
-Sou o pai mais feliz do mundo, porque a minha filha casou-se com o príncipe mais jovem e talentoso da aldeia.
De súbito, acordei sobressaltado com a voz da minha mãe, que me acordava para ir para a escola...
Meu dito, meu feito
Este sonho saiu perfeito!
Raúl e Bruna, 5ºA
Há muito, muito tempo, num reino muito distante, um rei e uma rainha tinham sido abençoados com uma linda menina e, por todo o reino, as pessoas estavam felizes.
Porém, no dia do batizado da princesa, uma fada maléfica amaldiçoou-a com uma terrível maldição, em que depois do pôr do sol, a princesa se transformaria num monstro horrível!
Desesperados, os reis decidiram procurar a fada madrinha, que lhes disse que tinham de prender a princesa numa torre de um castelo, situado numa ilha, no meio de lava a ferver e a princesa se libertaria dessa maldição, se o verdadeiro Amor...penetrasse nessa torre. Para tal, a princesa teria de ser beijada pelo seu verdadeiro Amor.
Noutro reino distante, um príncipe soubera dessa notícia e, após enfrentar desertos e outros locais perigosos, com a ajuda de umas poções mágicas, chegou a um grandioso lago, que no meio tinha uma ilha cheia de nevoeiro e poeira! Depois de atravessar o lago, avistou outra ilha com um castelo e uma torre muito alta rodeado de lava. Avistou uma ponte que ligava a ilha ao castelo e, ao atravessar a ponte, o príncipe surpreendeu-se com um dragão que cuspia fogo, sem dó nem piedade!
Enfim, conseguiu derrotar o dragão e subiu à torre, onde a princesa o esperava. Os dois beijaram-se e atiraram-se da janela da torre, caíndo em cima de um cavalo branco, que os trouxe de novo ao reino de seus pais.
Passaram a viver num castelo encantado e foram felizes para sempre.
Francisco e Tiago, 5ºA

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 Eder Cardoso, 6.ºA



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